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O dólar mais firme deve aumentar os preços dos fertilizantes em 29% para os produtores de soja

A valorização do dólar em relação ao real deve aplacar o temor de margens negativas e resguardar a rentabilidade dos produtores brasileiros de soja na nova safra 2015/16, que começará a ser semeada em setembro. Nas contas da Agroconsult, assumindo que a oleaginosa permaneça no patamar de US$ 9 por bushel na bolsa de Chicago, e com o dólar a R$ 3,10, os agricultores do norte de Mato Grosso embolsarão R$ 337 por hectare na próxima temporada.

“Teremos mais um ano bom”, previu André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult. A estimativa é bem mais otimista que o cenário traçado para 2015/16 no início de outubro de 2014, quando se projetava uma margem negativa de R$ 125 por hectare, com o dólar a R$ 2,50. O cálculo inclui insumos, operações, mão de obra e depreciação, mas não arrendamentos.

Para a atual temporada (2014/15), a perspectiva de rentabilidade na mesma região passou de R$ 128 para R$ 798 por hectare.

Por outro lado, o dólar mais firme deve impactar a compra de insumos da nova temporada. A Agroconsult estima uma elevação de 13% no custo de produção no norte de Mato Grosso em 2015/16, em relação à anterior, para R$ 2.187 por hectare. “Isso implicará uma revisão completa por parte do produtor de onde pode reduzir mais esse custo”, afirmou Pessôa. A consultoria projeta uma elevação de 22% nos custos dos defensivos, e de 29% para fertilizantes.

A Agroconsult também chama a atenção para o aumento da necessidade de crédito na próxima safra. A consultoria calculou que, para implantar as lavouras de soja, milho, trigo e algodão no país, serão necessários R$ 94,8 bilhões em 2015, acima dos R$ 83,5 bilhões no ano passado. “Estimamos uma área 300 mil hectares menor, e mesmo assim haverá essa elevação”, disse Pessôa.

Tendo em vista que, conforme dados do Rally da Safra, quase metade dos produtores utiliza recursos tomados em bancos, cresce a preocupação de que o aperto na oferta de crédito este ano afete a dinâmica da atividade. “O crédito estará mais caro e escasso, e haverá um retardamento nas compras de insumos e um aumento das incertezas na cadeia”, acrescentou.

Valor Econômico, 26/03/2015

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