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Soja 2014/15: Preço atual liquida renda

Plantio ditado pelo ritmo das chuvas e os negócios cadenciados pelo mercado. Para qualquer lado que se olhe neste momento, a sojicultura 2014/15, em Mato Grosso, começa muito distante do cenário dos sonhos do produtor. As chuvas ainda são escassas e pontuais. É preciso fechar contratos, mas os preços não indicam renda e o volume a comercializar agrega ainda 90% da produção prevista. O melhor adubo do momento é a cautela, alertam os analistas. Afinal, o preço futuro mais contratado no Estado, o de março/2015, abaixo dos US$ 10 bushel, só cobre as despesas diretas relacionadas ao plantio e nada mais.

Como explicam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), por meio do Boletim da Soja divulgado ontem, o custo total desta safra de R$ 2.404,47/ha, exige a cautela, tanto no plantar quanto no vender. “Perdas ou possibilidade de ressemeadura não são algo que o produtor deseje e nem pode pensar em contabilizar”, exclamam.

Com custo recorde e produtividade média aguardada em 52,4sc/ha, os preços de paridade para março/15 próximos a R$ 37,50/sc tornam a lucratividade desta safra inexistente. “A estes preços, apenas o custo com os insumos de R$ 1.458,71/ha poderia ser pago pelo produtor mato-grossense”. O custo elaborado com o Imea contabiliza não apenas os insumos diretos – sementes, defensivos e fertilizantes – mas um conjunto de despesas necessárias ao plantio e colheita, que vão da mão de obra, gastos com combustível e até a depreciação da terra, impostos e os juros dos financiamentos. Na medida em que o preço internacional, formado na Bolsa de Chicago e totalmente variável às notícias da safra norte-americana neste momento, cai, a renda fica mais achatada. Outro fator que ainda segue como incógnita para definir a margem de lucro negativa ou positiva é o saldo da produção. Quanto maior a produtividade, mais esse indicador consegue diluir os custos. Outra ajuda externa e que pode melhorar as perspectivas de renda é o avanço da taxa de câmbio, que traz a cotação da soja, em reais, a patamares maiores.

Plantio

Do dia 15 de setembro, com o fim do Vazio Sanitário, até o final da semana passada, Mato Grosso semeou cerca de 25 mil hectares de uma previsão recorde de 8,80 milhões. Em tempos de renda ameaçada a cautela é a melhor atitude. “O ritmo do plantio se dará com aumento nos volumes de chuvas”.

O maior argumento para a espera das chuvas está no custo total da safra por hectare plantado. “Os produtores aumentarão o ritmo da semeadura a partir de outubro, com expectativa de que as chuvas aumentem. Caso esta previsão não se confirme, a semeadura pode apresentar atraso devido aos receios de elevação no custo final de produção em caso de possíveis perdas que impliquem gastos extras, como o replantio”, alertam.

Diário de Cuiabá, 23/09/2014

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