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Países buscam fontes alternativas de potássio

“O evento visa investigar formas de fornecer potássio fertilizante barato a países do Hemisfério Sul, enquanto a população mundial continuar crescendo”, diz Antoine Allanore, professor de Metalurgia no MIT.

Muitas regiões do Hemisfério Sul carecem de fontes confiáveis de potássio e tem solos diferentes daqueles encontrados no Norte. “Atualmente, elas importam potássio do Hemisfério Norte”, diz Allanore. O problema não está no suprimento, uma vez que países como Canadá e Rússia tem reservas abundantes, mas no custo e na distribuição.

Da mesma forma que o baixo preço do petróleo limitou o crescimento do fracking e outras fontes alternativas de combustíveis, um mercado robusto no norte tornou proibitivo o investimento em novas minas de potássio no sul.

“É nesse ponto que uma nova tecnologia pode mudar essa relação. É nisso que todos os participantes tentam pensar. Talvez não estejamos procurando pelos melhores recursos naturais, talvez não estejamos fazendo o melhor produto e talvez mudando isso vamos, de verdade, permitir que países do Hemisfério Sul tenham acesso a fertilizantes”, afirma Allanore.

O laboratório dirigido por Allanore, no MIT, trabalha em uma forma alternativa de potássio a partir de feldspato encontrado no Brasil e na China. Esse tipo de rocha que contém potássio pode ser moída para aumentar a interação do solo na liberação de potássio.

Um artigo recente de Allanore e do químico italiano Davide Ciceri demonstra, por meio de experimentos microfluídicos, que a interação do feldspato com ácidos pode liberar quantidades suficientes de potássio para a agricultura.

Separadamente, um potássio alternativo desenvolvido no laboratório de Allanore mostrou bons resultados em testes com milho cultivado em estufas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Brasil, onde testes de campo estão sendo feitos. “Eles estão extremamente felizes”, diz Allanore.

Os resultados mostram que há um ganho de potássio, logo, a planta com esse material adicional obtêm o que precisa para crescer, sem falar em benefícios adicionais. “Se você fornece muito de um só nutriente, a planta vai absorver muito desse nutriente e esquecer dos outros. Nos testes realizados em estufas, se você dá muito potássio a uma taxa adequada às necessidades da planta, então ela vai absorver outros nutrientes de forma mais equilibrada”, diz pesquisador.

“Parte do workshop é dedicado a encontrar uma forma de garantir que nossa mensagem seja ouvida por toda a comunidade”, diz Allanore. Além de pesquisadores de solos, o evento conta com a presença de agrônomos, geólogos, químicos. “Precisamos reunir especialistas de várias áreas para que eles discutam entre si”, diz ele. Um dos participantes do evento é Eder Martins, do Embrapa, que vai apresentar o trabalho “Desenvolvimento de K-Fertilizantes no Brasil”.

“Uma das propostas é usar compostos diferentes. Se, por exemplo, colocamos uma rocha silicatada com potássio inserido nela. Quando o composto se dissolve você não tem cloro na solução”, diz o especialista, destacando uma vantagem da alternativa. A principal fonte de potássio é o cloreto de potássio (KCl) que, quando absorvido, deixa no solo o cloro (Cl). Com informações da MIT News.

 

Notícias de Mineração, 04/11/2015

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