Porto do Recife busca consolidar-se como hub estratégico de fertilizantes

O Porto do Recife vem se preparando para transformar-se num polo logístico estratégico a partir da consolidação do terminal como hub regional de fertilizantes, com distribuição voltada para os mercados do Norte e Nordeste do Brasil.
“A Fertine está fazendo um investimento na ordem de R$ 100 milhões de reais para construção de armazéns”, revelou Paulo Nery, presidente do Porto do Recife. A empresa, que integra o grupo Fertipar, já atua em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e terá sua capacidade logística ampliada a partir de agosto deste ano. A estrutura permitirá armazenar inicialmente 25 mil toneladas de fertilizantes, com previsão de expansão para 40 mil toneladas na segunda fase.
Segundo Nery, o projeto vem avançando há cerca de dois meses. Diante do cenário internacional instável, marcado pelo tarifaço dos Estados Unidos e pela continuidade da guerra na Ucrânia, o Porto do Recife aposta na busca por novos parceiros comerciais, sobretudo na Europa.
Diversificação de fornecedores de fertilizantes
“Estamos planejando fazer um roadshow por pelo menos 4 portos da Europa. A ideia é mostrar para as autoridades portuárias e câmaras de comércio o que é o Porto do Recife e a posição geograficamente privilegiada em que ele está localizado”, afirmou o presidente. A iniciativa mira na diversificação de mercados no setor de fertilizantes.
Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) indicam que, entre janeiro e maio de 2025, o Porto do Recife descarregou 92 mil toneladas de adubos, número que representa uma retração de 27,71% em comparação ao mesmo período de 2024. A maior parte foi movimentada na forma de granel sólido, com queda de 29,33%, impactando diretamente as operações de longo curso.
Porto do Recife como elo estratégico para o agro
O terminal é responsável pela entrada de insumos como ureia, nitrato de amônio, superfosfato, cloreto de potássio e misturas NPK — todos essenciais para o cultivo de cana-de-açúcar, milho e frutas tropicais. Países como Rússia, China, Canadá, Marrocos, Bélgica, Bielorrússia, Catar, Estados Unidos, Alemanha e Holanda figuram entre os principais exportadores.
A demanda por fertilizantes no Brasil deve crescer significativamente até 2030, com destaque para potássio (38%), fósforo (33%) e nitrogênio (29%), segundo o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF). No entanto, a produção nacional segue em queda — de 7,4 milhões de toneladas em 1998 para 6,4 milhões em 2020 — enquanto as importações dispararam 445% no período.
O PNF aponta que esse cenário é resultado da escassez de matérias-primas viáveis no país, da desindustrialização do setor, da alta competitividade dos produtos importados, da crescente demanda agrícola e de entraves logísticos e ambientais.
O Brasil depende de reservas difíceis de explorar e enfrenta custos altos, sobretudo para a produção de nitrogenados, que usa gás natural. Ao mesmo tempo, fábricas fecharam diante de falta de incentivos, carga tributária elevada e barreiras regulatórias, enquanto grandes players internacionais ofertam fertilizantes mais baratos e em escala.
Esse desequilíbrio reforça o papel de portos como o do Recife na segurança do abastecimento de fertilizantes, especialmente no segundo semestre, quando o Brasil concentra a maior parte de suas importações, ao contrário de EUA e China, que consomem mais no início do ano.
Movimento Econômico, 29/07/2025.



