Tarifa chinesa sobre sucata de cobre dos EUA altera dinâmica logística do abastecimento

Desde maio de 2025, a China passou a aplicar uma tarifa de 10% sobre a sucata de cobre proveniente dos Estados Unidos. Em resposta, operadores comerciais norte-americanos começaram a utilizar rotas indiretas por meio de países como Tailândia, Índia, Canadá e Japão, com o objetivo de manter o fornecimento ao mercado chinês. Apesar da queda nas importações diretas dos EUA, o volume total de compras chinesas permanece estável, indicando o uso consistente de canais alternativos de abastecimento.
O redirecionamento das exportações envolve custos logísticos adicionais e potenciais implicações legais, especialmente em casos de reclassificação da origem do material, que podem ser interpretados como práticas irregulares. Ainda assim, os custos extras estimados entre 3% e 7% permanecem inferiores à tarifa de 10%, o que mantém a viabilidade econômica da estratégia.
Esse cenário evidencia a interdependência entre os dois países: os Estados Unidos são o principal fornecedor global de sucata de cobre, enquanto a China representa cerca de 50% da produção mundial de cobre refinado. Essa relação comercial complexa estimula a adoção de soluções alternativas, mesmo diante de restrições tarifárias.
A adoção de rotas alternativas contribui para a continuidade do fornecimento de matéria-prima destinada ao refino de cobre na China, o que pode ajudar a conter pressões inflacionárias sobre o preço do metal no médio prazo. Esse fator ganha relevância diante dos desafios recentes na oferta global, como a suspensão temporária de operações em minas relevantes, incluindo Kamoa-Kakula na República Democrática do Congo e El Teniente no Chile.
GlobalFert, 28/08/2025.



