Mercado

Acesso a gás da Bolívia surge como alternativa para produção competitiva de fertilizantes

A ampliação do uso do gás natural da Bolívia volta ao debate como alternativa para reduzir a dependência externa de fertilizantes no Brasil, em um cenário de maior instabilidade no mercado global. Durante o Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, destacou o tema como estratégico para o fortalecimento da base produtiva do agronegócio.

Do ponto de vista de mercado, a leitura apresentada é de que o custo do gás natural é um fator limitante para a expansão da produção de nitrogenados no país. Nesse sentido, Viana apontou que o acesso a gás boliviano a preços mais competitivos poderia viabilizar a instalação de novas plantas, especialmente em regiões como Mato Grosso, aproximando a produção dos polos consumidores e reduzindo ineficiências logísticas.

A análise também se insere em um contexto geopolítico mais amplo, no qual conflitos recentes têm impactado diretamente a oferta de energia e fertilizantes. Ao destacar esse cenário, o presidente reforça a necessidade de internalização de parte da produção como forma de mitigar riscos externos, indicando que a integração energética regional pode atuar como mecanismo de maior previsibilidade para o abastecimento.

A materialização desse movimento ainda está condicionada a entraves estruturais, incluindo limitações de infraestrutura, necessidade de maior segurança regulatória e o nível atual de integração entre os países. A queda da corrente de comércio, de US$ 5,5 bilhões em 2013 para US$ 2,5 bilhões atualmente, reforça esse cenário. Nesse ambiente, o avanço da agenda energética tende a funcionar como vetor de reaproximação, com potencial de destravar, no longo prazo, a produção de fertilizantes no Brasil.

Globo Rural, adaptado por GlobalFert, 18/03/2026

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