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Alta do dólar repassa aumento para os fertilizantes

A valorização da moeda americana faz as indústrias de insumos repassarem o aumento das matérias-primas importadas, cotadas na moeda americana, para os seus produtos. O produtor pagou pela tonelada de fertilizantes em agosto deste ano 23% a mais que no mesmo período do ano passado. E em um único mês, de julho para agosto, a variação foi de 4,6%. “É muito alta, considerando que essa variação é de um mês para o outro, avalia Alexandro Alves, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás.” Ele estima que, de setembro para outubro, o aumento de preços será ainda maior.

Apesar de os grandes produtores já terem adquirido a maior parte dos insumos necessários para a próxima safra, que será plantada a partir da segunda quinzena de outubro, ainda há uma movimentação considerável nas indústrias.

A demanda vem, principalmente, dos pequenos e médios produtores, que não têm a cultura de antecipar as compras para a safra. “Nas indústrias, costuma-se dizer que são vendas no picadão.”

A alta dos preços dos insumos não terá efeito direto nos preços dos produtos agropecuários, pelo menos não na cotação de commodities como o milho, a soja e o algodão, que têm seus valores formados por uma série de outros fatores. “O produtor não forma preços”, ressalta Alexandro.

O impacto tende a ser maior em produtos como as hortaliças, embora pequenos e médios produtores absorvam em grande parte o aumento dos custos de produção. “Eles precisam reduzir custos e aumentar a produtividade como podem, o que, às vezes é difícil e muitos até saem da atividade.”

Impacto no bolso

Produtor de soja e milho em Silvânia e consultor em agricultura, Dalmo Sávio Martins sentiu no bolso o impacto da forte valorização do dólar frente ao real, apesar de ter adquirido parte dos insumos antes do início da maior escalada da moeda americana, há cerca de um mês. Ele explica que a alta dos preços foi especialmente grande nos produtos mais atrelados ao dólar, com princípios ativos importados, como os de herbicidas, inseticidas e fungicidas. “Mesmo aqueles fabricados no Brasil dependem de matéria-prima importada”, explica.

O litro de um dos fungicidas mais utilizados para o controle da ferrugem da soja, por exemplo, custava R$ 120 em setembro de 2014. Hoje, quem comprar o mesmo produto é obrigado a desembolsar R$ 200. “Do jeito que está o câmbio, logo esse produto pode custar o dobro do que custava há um ano. E já há quem diga que o dólar vai chegar a R$ 4,40.”

A alta dos custos de produção assusta mais os produtores à medida que os recursos obtidos via financiamento, do Plano Safra, com juros mais favoráveis, vão acabando e os agricultores são obrigados a utilizar recursos próprios ou a buscá-los no mercado financeiro, onde os juros são mais elevados.

Estratégias

Driblar o efeito da alta do dólar sobre os custos da produção agrícola não é uma tarefa fácil. O produtor e consultor Dalmo Sávio manteve o investimento, mas disse que nesta semana um agricultor para o qual presta assistência já manifestou a intenção de não adubar áreas de alta fertilidade e de diminuir o insumo nas de média fertilidade.

Dalmo diz que recorrer a esse tipo de estratégia é um tanto temerário, já que a lavoura responde ao investimento que recebe. “Essa alta do dólar está fazendo o produtor encolher o padrão tecnológico e isso pode levar a uma menor produtividade. Quem fazia três aplicações de fungicidas, por exemplo, pode aumentar o espaço entre as aplicações e avaliar se pode fazer apenas duas, mas com isso ele expõe a lavoura a um risco maior de contaminação.”

 

Jornal O Popular, 25/09/2015

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