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Alteração brusca da cotação do dólar prejudica exportadores

Dólar em alta poderia ser sinônimo de festa para os exportadores. Com a moeda americana valorizada frente ao real, quem vende para fora do Brasil tem maior margem de lucro, consegue calcular seus custos com mais flexibilidade e se torna mais competitivo. Mas nem sempre um câmbio nas alturas de modo repentino é o ideal: é comum que mudanças bruscas na cotação – mesmo aquelas que, em tese, seriam positivas – acabem prejudicando o mercado exportador.

Para o economista Vitor Galesso, um salto na cotação do dólar seria bom apenas a curto prazo. “Parece algo que, inicialmente, todos adorariam. Mas, a longo prazo, não significa aumento da produtividade, além de gerar acomodação”, afirma. Galesso, que também é especialista em comércio internacional, explica que o panorama pode fazer com que o empresário não tenha o desafio permanente de melhorar seus custos e capacidade produtiva. “O mais interessante é que o dólar atinja um ponto de equilíbrio, que ajude a empresa a se programar. Esse é o panorama mais favorável a longo prazo”, diz.

Variações repentinas na cotação da moeda dos Estados Unidos poderiam fazer com que importadores exigissem baixa nos preços dos produtos que saem daqui. É o que acontece no mercado calçadista. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o câmbio favorável ao vendedor faz com que muitos importadores peçam pela diminuição dos valores, uma vez que, com menos dólares (aqui, valendo mais em real), o vendedor já conseguiria suprir seus gastos e ter lucro. “Hoje, com um extenso canal de informações, não se vive mais isolado como no passado. Informações sobre a alta da moeda circulam de imediato. O comprador sabe que pode manter o lucro do vendedor, mas que existe a possibilidade de haver redução de preço, e por isso age dessa forma”, diz o economista.

Dólar desvalorizado reflete nos custos de produção

O aumento dos custos de produção está entre os efeitos instantâneos da desvalorização da moeda americana. De acordo com Galesso, para setores como o de produção de grãos, com base no centro-oeste brasileiro, a alta do dólar prejudica os exportadores, que utilizam fertilizantes importados para proteger as plantações. Por conta disso, o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, afirma que qualquer alta repentina é ruim. “Ele vai ter que comprar fertilizante mais caro para a próxima safra. Hoje, os grãos estão com preço bom, mas, com uma alta do dólar, os componentes também sobem, e vai haver reflexo disso nos custos da próxima safra”, diz.

Mendes defende um dólar estável. “O melhor é ter uma situação controlada, para que o produtor possa se planejar. Depois de ter vendido e compromissado o seu produto, uma esticada do dólar pode significar aumento do preço do produto, porque ele foi vendido com base em um valor de produção menor, mas vai ter que comprar material com uma cotação maior”, diz. Galesso concorda. “É preciso garantir que o mercado de câmbio continue flutuante, porque é ele que tem sido responsável pelo significativo crescimento e manutenção de investimentos estrangeiros diretos. Ainda que o dólar tenha alta ou baixa momentânea, é importante que siga estável”, afirma.

Portal Terra, 08/09/2012

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