Barter avança no hiato do financiamento convencional
Com financiamento convencional não conseguindo mais atender, especialmente, o custeio das lavouras, o barter (troca de grãos por insumos) tem ganhado espaço no país. Segundo o especialista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Eduardo Tobis Ruiz, a modalidade ainda não regulada de financiamento, tornou-se uma opção ágil, mais barata e menos burocrática para os “órfãos do crédito rural”, que representam mais de dois terços dos produtores, aproximadamente.
O especialista lembra, que numa aproximação, o crédito para a safra de 2016/17 é de cerca de R$ 149,9 bilhões, correspondente a aproximadamente 29% do valor bruto da produção agropecuária projetada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A falta de regulamentação dificulta a análise estatística, mas estima-se que a modalidade já represente por volta de um terço de toda a necessidade de crédito do campo, segundo o ex-diretor de crédito rural da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ademiro Vian.
No Centro-Oeste, as operações de troca ganharam mais relevância e já representam 80% a 90% das necessidades de fertilizantes, agroquímicos, sementes e, em menor escala, adubação foliar no eixo formado pela BR-163, incluindo as regiões de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sinop (MT), onde os produtores antecipam suas compras em 12 e até 18 meses, planejando as futuras safras.
“Em torno de 90% do faturamento das distribuidoras de insumos naquela região corresponde à troca por soja, milho e algodão”, segundo o consultor Lauro Kfouri Mariano. Os fertilizantes granulados correspondem a quase metade das trocas, já os defensivos de 25% a 30%, cerca de 5% aos fertilizantes foliares e os outros 15% a 20% para as sementes, diz ele. No mercado, completa Mariano, estima-se que o barter corresponda a 20% da produção total das grandes indústrias de defensivos.
O barter também avança em outras áreas do Mato Grosso, chegando a Primavera do Leste e o Vale do Rio Araguaia, além de Goiás, a região de Mapitopa formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e de forma mais lenta no Sul do país.
O consultor Flávio França Júnior, lembra que neste ano, os preços mais baixos (especialmente no caso da soja), não animaram os produtores a antecipar grandes volumes de venda antecipada da safra. Incluindo todas as modalidades de negociação, a negociação antecipada da soja correspondia, até outubro, a 27% da produção esperada diante de 34% na média das últimas cinco safras e de 43% o mesmo período do ano passado.
Valor Econômico, 28/11/2016



