Bird projeta uma queda de 5% nos preços dos fertilizantes
O Banco Mundial (Bird) disse ontem que as perspectivas para as commodities continuam ruins neste ano. Porém, o preço do petróleo deve cair um pouco menos do que o previsto anteriormente.
Os preços médios de combustíveis como petróleo, gás natural e carvão deverão recuar 39% em relação a 2014, enquanto os de metais e fertilizantes terão queda de cerca de 12%, disse o Bird em seu relatório trimestral “Commodity Markets Outlook” (perspectivas para mercados de commodities).
“Todos os principais índices de preços de commodities deverão recuar em 2015, principalmente por causa do excesso de oferta e, no caso das commodities industriais, da demanda fraca”, afirma.
As commodities estão sendo cotadas nos menores níveis em 12 anos, após um boom que durou uma década e foi alimentada pelo crescimento de emergentes como China e Índia. O Banco Mundial disse que o consumo de metais e carvão em particular poderá cair na China, à medida que sua economia passar a ser mais orientada para o setor de serviços, e também em razão da implementação de políticas para conter a poluição.
A cesta dos preços internacionais do petróleo do Bird cairá em relação à média de US$ 96 o barril no ano passado, mas a previsão para este ano foi elevada de uma estimativa de US$ 53 em abril para cerca de US$ 57 agora. A projeção – baseada numa média igualmente ponderada do petróleo dos tipos Brent, Dubai e WTI – reflete uma certa melhora na demanda pelo combustível e uma reação dos preços de 17% de abril a junho.
A revisão na previsão não é um conforto para os preços do petróleo, diz John Baffes, economista-sênior do Banco Mundial e principal autor do estudo. “Apesar do aumento marginal na previsão dos preços em 2015, os grandes estoques e o aumento da produção dos membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo [Opep] sugerem que os preços devem continuar fracos no médio prazo”, disse ele em comunicado.
Os preços do gás vão “cair bastante” na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, incluindo um declínio de 36% neste último mercado neste ano, segundo aponta o relatório. Os preços do carvão deverão cair 17% por causa da concorrência de outros combustíveis, como o gás, e da expansão do uso de energias renováveis.
Os preços do minério de ferro cairão mais de 40% em relação à média de 2014, para US$ 55 a tonelada, uma vez que operações mineradoras de baixos custos em países produtores como a Austrália e o Brasil terão início em 2015 e 2016, disse o banco. O banco também prevê uma queda de 17% nos preços globais dos metais.
Com as safras e os estoques de alimentos crescendo nas Américas, os preços agrícolas médios cairão 11% em relação a 2014, ainda segundo o Banco Mundial, que também projeta uma queda de 5% nos preços dos fertilizantes.
Analistas do Citigroup disseram nesta semana em nota de análise que estão com uma postura “de neutra para queda” em relação aos preços das commodities como um todo no segundo semestre.
Valor Econômico, 23/07/2015



