Brasil negocia GNL russo em contratos de longo prazo para viabilizar produção nacional de fertilizantes

O Brasil manifestou interesse formal na aquisição de gás natural liquefeito (GNL) da Rússia por meio de contratos de longo prazo, com o objetivo de ampliar a produção doméstica de fertilizantes nitrogenados. A informação foi confirmada pelo ministro do Desenvolvimento Econômico russo, Maxim Reshetnikov, ao término da 13ª Reunião da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia (CIC), realizada em 25 de maio em Brasília.
O GNL é insumo-chave na síntese de amônia, etapa central da cadeia produtiva de nitrogenados como ureia e nitrato de amônio. A dependência de compras no mercado spot expõe a indústria nacional a oscilações de preço e disponibilidade, cenário que os contratos de longo prazo em negociação visam mitigar. As tratativas entre empresas dos dois países já entraram em fase de negociação direta, alinhadas à capacidade russa de atendimento por meio de suas instalações de liquefação atuais e futuras.
Em 2025, a Rússia foi o principal fornecedor externo de fertilizantes minerais ou químicos ao Brasil, com 26% do total importado, e respondeu por 45% das importações nacionais de diesel. O intercâmbio bilateral total atingiu US$ 10,9 bilhões, com importações brasileiras de US$ 9,4 bilhões.
Ao término da reunião, os dois governos formalizaram o compromisso de ampliar o fornecimento de fertilizantes minerais e de estabelecer instalações conjuntas de produção em território brasileiro. A agenda inclui ainda o desenvolvimento de infraestrutura interbancária independente, medida que pode facilitar a liquidação das transações de insumos em moedas alternativas ao dólar.
Ministério de Relações Internacionais, adaptado por GlobalFert, 26/05/2025



