Cessar-fogo entre EUA e Irã pode aliviar preços dos fertilizantes, apesar de incertezas no Estreito de Ormuz

As negociações para um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, iniciadas em 7 de abril, continuam deixando questões em aberto sobre o futuro do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e a disponibilidade de fertilizantes, aumentando a incerteza sobre se uma retomada gradual das operações na região poderá, de fato, ocorrer. O bloqueio tem prejudicado os embarques de fertilizantes e pressionado as cadeias globais de suprimento. A trégua inclui a suspensão de ataques à infraestrutura energética durante esse período — um passo importante após os danos registrados em março e no início de abril, que limitaram a produção regional. No entanto, o cenário ainda é frágil: as negociações não estão totalmente alinhadas entre as partes, e a decisão dos EUA de impor um bloqueio aos portos iranianos intensificou a pressão sobre uma das principais fontes econômicas do Irã. Essa combinação de tensões não resolvidas e comércio restrito mantém elevado o nível de incerteza e impede a normalização plena das operações.
Para o mercado de fertilizantes, a retomada das exportações da região ajudaria a aliviar as atuais restrições de oferta, especialmente para produtos que aguardam condições favoráveis de embarque para alcançar destinos-chave.
No caso dos fertilizantes nitrogenados, a atenção se concentra no envio de 500 mil toneladas de ureia para a Índia, negociado em fevereiro. Embora esse volume atenda parcialmente à demanda do país, não será suficiente para eliminar o déficit. A nova licitação da Índia, anunciada em 4 de abril para um adicional de 2,5 milhões de toneladas, deve manter os preços elevados. A produção regional também sofreu danos significativos, com algumas unidades enfrentando recuperação lenta — como a QatarEnergy em março — além dos impactos mais amplos na infraestrutura energética do Irã. Nessas condições, o retorno aos níveis de preços pré-conflito pode levar meses, mesmo em cenários otimistas, embora sejam esperadas correções graduais à medida que as atividades forem retomadas.
Para os fertilizantes fosfatados, a dinâmica é semelhante, embora os ajustes de preços devam ser menos intensos. A escassez já vinha sendo observada antes do conflito, que acabou ampliando a pressão e elevando os custos de enxofre e amônia. A normalização da oferta e dos preços tende a levar mais tempo. As restrições às exportações da China, somadas à paralisação das operações da Mosaic no Brasil, reforçam o cenário de oferta apertada. Além disso, muitos produtores globais anteciparam cronogramas de manutenção — tendência que deve continuar até que as cadeias de suprimento se estabilizem.
Em síntese, embora o conflito ainda não esteja resolvido, os avanços nas negociações oferecem uma perspectiva cautelosamente mais favorável. A trajetória da guerra, no entanto, depende de maior clareza, esperada nas próximas negociações no Paquistão. Caso um acordo garanta a livre passagem pelo Estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes — especialmente dos nitrogenados — tendem a recuar gradualmente.
GlobalFert, 16/04/2026.



