Dívidas ainda limitam avanço de adubos em SP
O endividamento das usinas paulistas de cana e dos citricultores são duas das principais causas da limitação na retomada do mercado estadual de fertilizantes. Análise do Instituto de Economia Agrícola (IEA) divulgada ontem posiciona São Paulo no 3º lugar do ranking nacional de entregas de adubo neste ano, até julho.
No acumulado dos sete primeiros meses de 2016, as entregas do insumo ao consumidor final cresceram 10,4% na média nacional, totalizando 16,52 milhões de toneladas. Em São Paulo também houve avanço, porém menor, de 8,7% quando comparados ao mesmo período de 2015, para 1,83 milhões de toneladas. Os dados vão em linha com as estatísticas da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) que, já considerando o desempenho de agosto, fala em aumento de 10,3% no acumulado do ano, conforme publicado no DCI.
“Muitos produtores encontram-se endividados e isso está adiando um pouco uma demanda maior para fertilizantes”, explica o engenheiro agrônomo e diretor do IEA, Celso Vegro. Para ele, primeiro o agricultor precisa renegociar dívidas que foram adquiridas entre 2010 e 2011 para entrar em um novo ciclo de investimentos. Em geral, estes ciclos duram cerca de cinco anos.
É possível identificar o endividamento em outras commodities também, como soja, milho e café, no entanto, o cenário de preços destes grãos foi muito favorável neste ano.
No caso paulista, destaca-se a forte redução de área nas lavouras de laranja. Entre as usinas, o bom momento nas cotações internacionais do açúcar tem incentivado os produtores, mas, na avaliação do especialista, durante a renovação dos canaviais parte residual do fertilizante é reaproveitada no novo plantio, o que limita a demanda pelo produto.
“A cafeicultura e as pastagens, que estão se tecnificando com a integração entre lavoura, pecuária e floresta, colaboram para a retomada do fôlego no consumo de adubos em São Paulo”, destaca Vegro.
Apesar dos números positivos, ele acredita que, após o tombo nas entregas de 2015, a recuperação ao País como um todo só virá em 2017.
Mercado
De acordo com a consultoria Globalfert, o preço médio em dólar dos fertilizantes intermediários importados pelo Brasil entre janeiro e agosto de 2016 está 26% mais baixo quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Os nitrogenados apresentaram queda de 19%, os fosfatados de 22% e os potássicos de 30%.
A valorização do câmbio e a alta do preço da soja fazem com que produtor encontre melhores condições de compra nesta safra. “Porém, com o início do plantio o preço do frete rodoviário para fertilizante deve aumentar devido aos problemas logísticos encontrados com a quebra da safra de milho no Brasil”, informam os analistas da consultoria.
DCI, 23/09/2016



