El Niño e crise de fertilizantes afetam o agronegócio brasileiro

Fenômeno climático recém-declarado pela NOAA, Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, adiciona nova camada de risco a um setor que já enfrenta vulnerabilidade estrutural nos insumos agrícolas.
O agronegócio brasileiro entra no segundo semestre de 2026 pressionado por dois desafios simultâneos: a confirmação oficial do El Niño e a dependência externa de fertilizantes, combinação que eleva o patamar de risco para produtores em todo o país.
A NOAA anunciou que o El Niño, fenômeno natural do Pacífico que eleva as temperaturas globais, já está em curso. As temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial central e oriental superaram o limiar de 0,5 °C acima da média utilizado pelos cientistas americanos para caracterizar um episódio do fenômeno. A agência registrou ainda uma mudança nos ventos sobre a região, sinal de que a atmosfera já está respondendo ao aquecimento oceânico, e não se trata de um evento isolado.
As projeções são preocupantes. Diversas análises apontam que este ciclo pode se converter em um chamado “super El Niño”, possivelmente entre os mais intensos já registrados. O fenômeno pode resultar em um ano de temperaturas recordes, gerando alterações climáticas e impactos no fornecimento de alimentos.
Para o campo brasileiro, o timing é crítico. As empresas do agronegócio já estão se preparando para o plantio do segundo semestre em meio a um cenário de alta incerteza nos insumos: cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que expõe a produção às oscilações de mercados estratégicos internacionais, sujeitos a tensões geopolíticas, variações cambiais e interrupções logísticas.
A convergência dos dois fatores, um El Niño potencialmente severo e uma cadeia de insumos estruturalmente frágil, coloca o setor diante de um dilema de planejamento. Produtores precisam decidir volumes de compra e estratégias de aplicação de fertilizantes sem saber ao certo qual será o comportamento das chuvas, das temperaturas e do cenário geopolítico internacional.
CNN Brasil, adaptado por GlobalFert, 12/06/2026



