ESALQ/USP e Inralt aprovam metodologia inédita de análise de fertilizantes por Raios X
Parceria entre academia e startup brasileira valida uso de fluorescência de Raios X
somada a inteligência artificial para análises químicas rápidas, precisas e aplicáveis à
indústria de fertilizantes
Piracicaba (SP) — A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), em
parceria com a startup Inralt, anunciam a aprovação no MAPA de uma nova metodologia
para análise química de fertilizantes baseada em fluorescência de Raios X (XRF)
combinada com algoritmos de inteligência artificial. O desenvolvimento representa um
avanço relevante na forma como a indústria de fertilizantes avalia a composição de
matérias-primas e produtos acabados, com ganhos expressivos de velocidade, custo e
eficiência operacional.
A metodologia foi desenvolvida ao longo de um projeto conjunto entre pesquisadores e
especialistas das instituições, com o objetivo de viabilizar análises multielementares
em tempo reduzido, mantendo rigor técnico e aderência às exigências regulatórias. A
solução utiliza espectrometria de fluorescência de Raios X por energia dispersiva
(EDXRF), aliada a modelos preditivos treinados com dados laboratoriais, permitindo a
determinação simultânea de nutrientes em fertilizantes minerais — e também se aplica
à análise de fertilizantes líquidos, ampliando seu campo de uso dentro da indústria.
“O uso de novas tecnologias analíticas é fundamental, uma vez que os laboratórios
químicos precisam acompanhar a evolução das demandas e a crescente velocidade
dos processos industriais. No entanto, sua implementação deve estar associada a
procedimentos analíticos devidamente validados e comparáveis aos métodos oficiais”,
afirma o Marcos Kamogawa, professor do departamento de Ciências Exatas da
Esalq/USP.
Nos métodos laboratoriais tradicionais, dependendo do elemento analisado e da
experiência do profissional, o tempo de análise pode variar entre 2 e 48 horas por
parâmetro. Com a nova metodologia, esse cenário muda de forma estrutural: o tempo
de análise passa a ser de aproximadamente 2 minutos, independentemente da
quantidade de determinações realizadas.
Além da agilidade, o ganho operacional é ampliado pela natureza do processo. A
tecnologia dispensa o uso de reagentes químicos, eliminando riscos à saúde e ao meio
ambiente, além de reduzir etapas manuais que são fontes de variabilidade no processo.
Como resultado, o rendimento do método pode ser de 10 a 25 vezes superior em
comparação aos métodos convencionais, possibilitando maior volume analítico com a
mesma estrutura operacional.
Outro impacto relevante está na estrutura de custos. A Inralt estima que a
implementação de um laboratório baseado nessa abordagem pode reduzir em cerca de
60% o investimento necessário, quando comparado a laboratórios tradicionais que
dependem de múltiplos equipamentos, insumos químicos e processos fragmentados.
O desenvolvimento segue uma linha já explorada em outros setores industriais, como o
de suplementos alimentares, no qual a metodologia tem sido aplicada para análises
rápidas e não destrutivas. Em projeto anterior conduzido com a indústria nacional, a
tecnologia demonstrou potencial para reduzir análises laboratoriais de horas para
minutos, mantendo confiabilidade nos resultados.
“Foram muitos anos articulando desenvolvimento técnico da metodologia e os
protocolos de validação regulatória. Começamos pelos principais
macronutrientes, e em breve devemos aprovar para os macros secundários e
micronutrientes”, afirma Marcos Gomes, fundador da Inralt, conhecido como Alpino na
ESALQ.
Para a ESALQ/USP, a aprovação reforça o papel da universidade na geração de
conhecimento aplicado e na aproximação com demandas reais da agroindústria,
conectando pesquisa científica a desafios concretos do setor produtivo. Já para a Inralt,
a validação acadêmica consolida a tecnologia como uma alternativa viável ao modelo
laboratorial tradicional, especialmente em contextos em que tempo de resposta
impacta diretamente a tomada de decisão.
A expectativa é que a metodologia contribua para transformar a dinâmica do controle de
qualidade na indústria de fertilizantes, permitindo decisões mais rápidas, redução de
estoques parados e maior previsibilidade operacional.
Sobre a Inralt
A Inralt é uma startup brasileira fundada por pesquisadores egressos da ESALQ e
CENA/USP, dedicada ao desenvolvimento de tecnologias analíticas baseadas em
espectroscopia e inteligência artificial para aplicações industriais, com foco em
agilidade e suporte à tomada de decisão na agroindústria.
Além do controle de qualidade de fertilizantes, a empresa também aplica sua
metodologia para diagnose do estado nutricional de plantas, combinando análise foliar
rápida com o desenvolvimento de critérios de interpretação e recomendações
personalizados. Já existem calibrações desenvolvidas para culturas como soja, milho,
tomate e pimentão, enquanto culturas como café, citros e algodão devem estar
disponíveis em breve.



