Escassez de ureia gera tensão política na Índia e acende alerta no mercado global

A Índia, um dos maiores consumidores globais de fertilizantes, enfrenta uma crise de abastecimento de ureia neste início de safra de Kharif. A escassez do insumo tem gerado forte repercussão política no Estado de Telangana, onde o chefe de governo A. Revanth Reddy pretende levar o tema diretamente ao governo central em visita a Nova Délhi nesta semana. Ele busca pressionar o Ministério dos Fertilizantes pela liberação da cota estadual de ureia, essencial para o avanço do plantio.
Segundo o governo estadual, o pedido formal para o envio das remessas foi feito ainda em junho, mas não houve resposta efetiva de Nova Délhi. A urgência decorre do início da temporada agrícola, período crítico em que agricultores dependem de insumos para garantir o rendimento das lavouras.
A escassez já chega a quase 200 mil toneladas no estado, e denúncias de sobrepreço e mercado paralelo aumentam a pressão por uma investigação federal. Além de Telangana, outros estados indianos também enfrentam desafios logísticos e climáticos que dificultam o abastecimento, levantando preocupações no mercado global.
A Índia é tradicionalmente um dos principais compradores mundiais de ureia, com importações que impactam diretamente os preços internacionais do produto.
Impactos para o mercado global e brasileiro
A instabilidade no fornecimento interno indiano pode levar o país a intensificar suas importações nos próximos meses, o que tende a sustentar ou elevar os preços da ureia no mercado internacional. Este cenário já pressiona as cotações globais, em um momento de recuperação de preços puxada por fatores como oferta limitada de gás natural, custos logísticos elevados e clima adverso em países produtores.
Para o Brasil, segundo maior importador mundial de ureia, a situação na Índia é um ponto de atenção. Qualquer movimento de compras adicionais por parte do país asiático pode aumentar a competição por cargas no Golfo Pérsico, Norte da África e até no Mar Báltico, elevando os custos de importação para os compradores brasileiros – especialmente durante a preparação para a próxima safra.
Fontes: The Hindu; The Hans India; Telangana Today.
GlobalFert, 10/07/2025.



