FAO defende comércio aberto de insumos e alerta para choque de fertilizantes com crise do Estreito de Ormuz

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reforçou nesta segunda-feira (8) a necessidade de manter o comércio de insumos agrícolas aberto e de elevar a eficiência no uso de fertilizantes diante dos riscos que o fechamento do Estreito de Ormuz impõe à produção global de alimentos. O posicionamento foi apresentado pelo diretor-geral da entidade, Qu Dongyu, na abertura da 181ª Sessão do Conselho da FAO, que ocorre entre 8 e 12 de junho em Roma.
Para a FAO, o estrangulamento da rota deixou de ser uma questão regional e passou a representar um risco direto à segurança alimentar mundial. Pelo corredor transitam cerca de 20% a 30% das exportações globais de fertilizantes e aproximadamente 50% das exportações de enxofre, além de parcela relevante do petróleo e do gás natural liquefeito que alimentam a produção de nitrogenados. Segundo o diretor-geral, o maior risco não está em uma escassez imediata de alimentos, mas em um choque de fertilizantes e de produção que já começa a se materializar com a crise atingindo a marca de 100 dias.
Os efeitos, de acordo com a entidade, já aparecem no campo. Produtores da Ásia, da África e da América Latina vêm enfrentando custos de produção mais altos e decisões mais difíceis sobre quanto fertilizante aplicar e o que plantar na próxima safra, um quadro que tende a pressionar a oferta de insumos em mercados estruturalmente importadores.
Como resposta, a FAO apresentou um pacote de recomendações de curto, médio e longo prazo. No campo imediato, a orientação é manter o comércio fluindo, evitar restrições à exportação de qualquer insumo agrícola, proteger corredores humanitários de alimentos e assegurar rotas logísticas alternativas. A entidade também trabalha para ampliar a eficiência no uso de fertilizantes por meio de mapeamento de solos e agricultura de precisão, além de estimular sistemas de cultivo consorciado que reduzam a dependência de nitrogenados.
Para o futuro, a FAO busca desenvolver fundos de inovação voltados a fertilizantes alternativos, como amônia verde e biofertilizantes. Q diretor-geral acrescentou ainda que riscos climáticos ligados ao El Niño no segundo semestre podem agravar a situação de produção e de segurança alimentar em países que já enfrentam crises severas.
FAO, Adaptado por GlobalFert, 08/06/2026



