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Fertilizantes: compra antecipada pode ser uma tendência no Brasil

A poucas semanas do início da safra brasileira de grãos 13/14, a soja, sozinha, deverá ocupar metade de toda a área de grãos plantada no país. A previsão da Informa Economics FNP é que 29 milhões de hectares da oleaginosa sejam cultivados nessa safra, um incremento de 4% em relação à safra 12/13.

O tradicional cenário de forte procura por fertilizantes e preços valorizados não está sendo uma realidade. Com o dólar em alta seria natural uma inflação nos preços, porém o produtor brasileiro, que estava capitalizado, se antecipou nas compras e garantiu bons preços nos primeiros meses do ano. Com a baixa demanda os preços do adubo no mercado interno não sofreram reajustes significativas.

O consumo de fertilizantes no país está aquecido desde o início do ano, período de entressafra e que tradicionalmente não há muito procura pelo produto. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que o volume de compras bateu o recorde para o período. Foram 15 milhões de toneladas consumidas apenas nos primeiros sete meses do ano, maior volume dos últimos dez anos. Recorde também nas importações, quase 12 milhões de toneladas no período, volume é 13% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Os números indicam uma tendência no setor, que é a compra antecipada dos insumos.

Os motivos que levam a essa mudança de comportamento são vários. A estrutura dos portos brasileiros ainda é deficiente. Para escapar de um possível caos no período de pico de compras (julho e agosto) os produtores anteciparam a logística. “Os caminhões que transportaram a produção aos portos e retornariam vazios, voltaram com fertilizante no primeiro semestre, evitando assim atrasos para o início do plantio”, afirma o analista da Informa Economics FNP Aedson Pereira. “O Brasil entrou no comércio no melhor momento para fazer as suas aquisições”, finaliza.

No ano passado, principalmente entre julho e agosto, formaram-se longas filas de navios contendo fertilizantes à espera de espaço para atracar no Porto de Paranaguá (PR), que recebe metade dos adubos importados pelo Brasil. Muitos agricultores não tinham adubo para iniciar o plantio da safra de grãos entre setembro e outubro. De abril a junho, mesmo que o procedimento nos portes seja lento, os insumos chegam a tempo de serem utilizados na próxima safra.

O Brasil compra no exterior 75% dos nutrientes que usa como adubo. Como a área cultivada com grãos será recorde na próxima safra 2013/2014, a necessidade de importação também é crescente. A estimativa da ANDA é de que as compras fertilizantes do exterior vão chegar a 20 milhões de toneladas neste ano, superior às 19,5 milhões de toneladas contabilizadas em 2012.

Segundo o analista da Informa Economics FNP Victor Carvalho, a boa renda do produtor, após uma safra de preços elevados para os grãos também levou a antecipação. “O produtor brasileiro estava capitalizado devido aos bons preços pagos pelos grãos em 2011 e 2012 e viu aí um cenário positivo para as compras”, garantiu Carvalho.

O preço médio em baixa no mercado internacional foi decisivo para o disparo nas importações de janeiro a julho. Com a disparada da moeda americana sobre as demais moedas, os compradores do mundo inteiro adiaram as aquisições. A baixa demanda levou as indústrias a diminuírem as margens para garantir o escoamento da produção. Nos sete primeiros meses de 2013, o valor médio de uma tonelada do fertilizante, cloreto de potássio, foi de US$ 437,60, 14% menor que no mesmo período do ano passado (US$ 508,60). Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). “O excesso de oferta dos principais países produtores e a diminuição da compra de países como Índia, 2º maior consumidor global, forçaram a queda nas cotações dos principais fertilizantes comercializados no mercado global”, diz Pereira.

Em entrevista a revista Globo Rural o diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), David Roquetti Filho, disse que os preços dos fertilizantes subiram menos do que o dólar. ‘De forma geral, os fertilizantes não acompanharam a alta do dólar’, comentou.

O executivo explicou que o enfraquecimento dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional segurou os preços dos fertilizantes, diminuindo a valorização do insumo no mercado doméstico.

Dados da ANDA, mostram que julho de 2013 foi o primeiro mês do ano com variação negativa nas importações brasileiras de adubo na comparação com 2012. Nos meses anteriores, as compras internacionais foram intensas – em abril, por exemplo, cresceu 53,6%, de 1,2 milhão de toneladas para 1,9 milhão de toneladas. “Isso mostra que os produtores brasileiros irão iniciar mais cedo o fechamento da janela de compras de fertilizantes, que normalmente segue até outubro. Eles possuem estoque para a demanda do plantio da safra de verão, que inicia neste mês, o que evita o alongamento das aquisições”, explica Carvalho.

Dependência das importações

O país ainda tem forte dependência do mercado internacional de fertilizantes. Mais de 70% do consumo interno é atendido por produtos importados – para efeito de comparação, o Sindicato Nacional da Indústria Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) aponta que a dependência externa de fertilizantes é de 7% na China, 43% na Índia e de 36% nos Estados Unidos.

Mesmo assim, o Brasil é somente o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, com 6% do mercado. Segundo a Anda, os maiores compradores de fertilizantes são China (33%), Índia (17%) e Estados Unidos (12%), o que faz o mercado brasileiro coadjuvante no processo de formação de preços no comércio internacional. E esse cenário deixa o produtor vulnerável na hora de fazer o seu planejamento.

Para reverter esse efeito e, principalmente, ampliar a indústria de fertilizantes no país, dados divulgados em congresso do setor apontam que empresas devem investir US$ 13 bilhões entre 2013 e 2018. A perspectiva é de que a produção brasileira de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) cresça de 3,348 milhões de toneladas em 2013 para 6,973 milhões de toneladas em 2018, reduzindo a dependência brasileira do produto para 54,3%.

A produção de nitrogênio deverá pular de 825 mil toneladas para 3,991 milhões, cortando a necessidade de importação de 76,2% para 46,2%. Já a produção de fósforo no período deverá pular de 2,245 milhões para 4,106 milhões de toneladas, passando a importar 22,2% da sua demanda, contra os atuais 57,4%. No caso do potássio, a produção deverá passar de 278 mil para 720 mil toneladas, com a dependência recuando de 94,5% para 87,5%.

Economics FNP, 13/09/2013

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