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Fertilizantes de baixo carbono avançam com projetos de hidrogênio verde em MG

O Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou, em 29 de agosto, o resultado da chamada pública para hubs de hidrogênio de baixa emissão de carbono, voltados à descarbonização da indústria. Cinco propostas foram priorizadas para compor o Plano de Investimentos do Brasil no âmbito do Climate Investment Funds – Industry Decarbonization (CIF-ID), com horizonte de implementação até 2035.

A iniciativa recebeu 70 inscrições e, após avaliação de critérios de impacto, inovação e viabilidade técnica, o Brasil conquistou a primeira posição entre 26 países concorrentes ao CIF-ID. Esse desempenho garantiu ao país acesso a até US$ 250 milhões em recursos concessionais para apoiar os projetos selecionados.

Entre as propostas priorizadas, duas têm impacto direto no setor de fertilizantes: o Uberaba Green Fertilizer, da Atlas Agro Brasil, e o Hub de Hidrogênio e Amônia Verde, da Cemig, ambos em Minas Gerais.

Uberaba Green Fertilizer

A Atlas Agro construirá em Uberaba a primeira planta do hemisfério sul dedicada à produção de fertilizantes nitrogenados verdes. Com investimento estimado em US$ 1 bilhão, o projeto utilizará ar, água e eletricidade renovável para gerar hidrogênio verde via eletrólise, transformando-o em amônia e ácido nítrico. O resultado será a produção anual de mais de 500 mil toneladas de nitrato de amônio (AN) zero carbono, granulado e líquido. O insumo substituirá fertilizantes importados produzidos a partir de gás natural e carvão, oferecendo maior eficiência no campo, menor impacto ambiental e potencial de prêmios verdes para agricultores brasileiros.

Hub de Hidrogênio e Amônia

Já a Cemig aposta no desenvolvimento da amônia verde como alternativa estratégica para reduzir a dependência externa do Brasil — que hoje importa cerca de 85% dos nitrogenados consumidos. Produzida a partir de hidrogênio verde, a amônia é insumo central para a fabricação de fertilizantes nitrogenados, fundamentais para culturas como milho, trigo, cana-de-açúcar, café e pastagens. O projeto coloca Minas Gerais em posição de destaque, combinando matriz elétrica renovável, infraestrutura industrial e agroexportadora para se tornar um polo de fertilizantes de baixo carbono.

Com os dois projetos, o Brasil reforça a busca por segurança no abastecimento de insumos agrícolas, competitividade do agro e redução das emissões de gases de efeito estufa, alinhando-se às tendências globais de transição energética e produção sustentável de alimentos.

O próximo passo será a elaboração do Plano de Investimentos do Brasil no CIF-ID, coordenado pelo Ministério da Fazenda em parceria com o MME, MDIC, BID, Banco Mundial e UNIDO. O documento definirá como os recursos internacionais serão aplicados nos projetos prioritários.

GlobalFert, 02/09/2025.

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