Fertilizantes: estoques de nitrogenados crescem 123,4% sobre 2013
Nitrogênio
Depois de arremeterem na última semana de abril, os preços da ureia voltaram a recuar em todos os terminais. À frente da abertura da janela de baixas tarifas de exportação de nitrogenados na China, os preços já sinalizam recuo de até US$30/tonelada FOB na ureia. O SAM também segue na mesma direção. NAM, por outro lado, encontra leve suporte na reemergência da demanda brasileira, fruto de arcabouço regulatório mais frouxo para armazenamento do produto. O mercado de nitrogenados deve continuar em retração nas próximas semanas, mas algum suporte deve vir de leilão indiano de compra, na primeira quinzena de junho. O piso deve ficar pouco acima dos US$230/tonelada FOB China, entendido como o custo de produção no país.
Mesmo com recuo das importações em abr/14 contra abr/13, as condições de abastecimento no mercado brasileiro continuam excepcionais. A estimativa de estoque de nitrogênio no primeiro quadrimestre sinaliza avanço de 123,4% em relação ao ano anterior, permitindo supor que não perderemos correlação com a tendência de queda no mercado internacional em decorrência de desequilíbrios domésticos.
Fosfatados
Em decorrência da demanda fraca, o mercado de fosfatados também continua pressionado. Entretanto, a abertura da janela chinesa de baixas tarifas de exportações de fosfatados, no último dia 16, não implicou retração tão abrupta de preços como se esperava. Pelo contrário, nota-se variações conflitantes, mas são todas entendidas como pontuais. A próxima demanda forte também é da Índia, para aplicações em setembro, mas está intimamente ligada à qualidade das monções, que podem sofrer redução em função de provável El Niño.
Os estoques brasileiros mantiveram-se à frente do ano anterior, mas o avanço recuou de 36,5% para 26,8%. Ao contrário do verificado para os nitrogenados, alguns consumidores finais que ainda não fecharam a compra de insumos da safra 14/15 sinalizam fortalecimento nos preços domésticos, movimento que destoa do mercado internacional. Algum incremento em Paranaguá foi notado, mas é visto como pontual. Entende-se que, sobretudo em decorrência do MAP 11-44-00 chinês e da ampla gama de misturas NP importada do gigante asiático, fornecedores domésticos tenham dificuldades em emplacar altas expressivas.
Potássio
Fornecedores internacionais continuam focados nos contratos de China e Índia. Há, entretanto, expectativa de redução da demanda chinesa do segundo semestre em função de amplos estoques, o que pode pressionar preços. A tentativa do oligopólio fornecedor de aumentar o preço nos mercados spot tem se provado infrutífera até o momento, mesmo com as alegações sobre escassez de produto granular.
Este quadro deve se fazer sentir no Brasil, mas depois do esperado. Em função de importação recorde em abril, os estoques estão 53% acima dos registrados em abr/13. O avanço era de 31,6% até o mês passado. Este incremento representa maior poder de barganha na ponta compradora, mas deve ser suficiente para apenas postergar o aumento de US$10/tonelada CIF Paranaguá.
INTL FCStone, 02/06/2014



