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Fim da isenção do ICMS na Bahia para o setor de fertilizantes aumenta custos da próxima safra

O fim da isenção do ICMS e adoção da alíquota de 4% para o setor de fertilizantes na Bahia gerou preocupação entre os fabricantes dos insumos e entre agricultores, principalmente os produtores das culturas de soja, algodão e milho do oeste do estado, região responsável por  60% do consumo desses insumos.

Dados da Siacan apontam que a Bahia consome 1,8 milhão de toneladas de fertilizantes por ano. Cerca de  14 indústrias do mercado são baianas. Na região oeste, os fertilizantes movimentam cerca de R$ 1,3 bilhão  por ano, segundo projeção da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).  Os 4% de ICMS correspondem a um aumento de   ao menos R$ 53 milhões nos custos  dos  produtores.

Publicado no Diário Oficial no dia 19 de agosto, o decreto que põe fim à isenção passou a valer no dia primeiro deste mês. Segundo o procurador do  Sindicato da Indústria de Adubos Agrícolas do Nordeste (Siacan), Gilberto Duque, a mudança pegou os produtores de surpresa e  já vai impactar nos custos da próxima safra, que começa a ser plantada entre outubro e novembro.

“O pessoal às vezes faz as coisas e não pensa nas consequências. Estamos em uma época de preparação para o plantio.  Depois da mudança, o setor de fertilizantes parou porque foi renegociar os contratos”.

Para Gilberto Duque, o aumento de custos vai prejudicar todo tipo de agricultor comercial, das grandes plantações do oeste à produção de hortifrúti do Recôncavo baiano.  “O setor não consegue absorver isso. O aumento é muito grande percentualmente porque o setor trabalha com margens reduzidas de lucro. E isso vai passar para os preços. Quem sofre mais é o produtor baiano  que vai ter os produtos mais caros, enquanto em outros estados os produtores continuam tendo isenção do ICMS”, afirma  Duque.

Concorrência

Até o momento,  a Bahia e o Sergipe suspenderam a isenção do setor, que foi iniciada no Convênio do ICMS nº 100, de 1997, no âmbito do  Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). Para representantes do Siacan e da Aiba o aumento do ICMS na Bahia irá diminuir a competitividade dos produtos agrícolas do estado.

“Isso vai trazer um forte impacto na capacidade competitiva  entre os estados. O  milho do Mato Grosso, por exemplo, que  não tem incidência desses 4%,  vai chegar com mais capacidade  e com mais vantagens competitivas do que o milho produzido aqui no estado para ser utilizado nas granjas de Feira de Santana. Isso  faz com que a região não tenha a mesma capacidade de escoar essa produção”, diz  o  diretor de projetos e pesquisa da Aiba, Ernani Sabai.

A Secretaria da Fazenda da Bahia, através de nota, afirmou que no momento em que os estados reavaliam os benefícios fiscais em razão do cenário econômico atual “leva em conta a avaliação de que o setor já tem a sua atividade consolidada no Estado, com mercados estabelecidos”.  De acordo com a secretaria, o impacto nos custos será de menos de 1% para as culturas de soja e de milho e de cerca de 0,5% para a de algodão.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) comemoraram a medida da Sefaz por igualar a tributação para  os produtos nacionais e os importados.

 

A Tarde, 04/09/2015

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