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Fixação das tarifas de exportações chinesas amplia a oferta mundial de Ureia

O abastecimento para as aplicações de ureia no hemisfério norte costuma conferir um pico da demanda por nitrogênio durante o início do segundo trimestre.

Em 2015, porém, a fixação das tarifas de exportação chinesas deverá ampliar a oferta mundial de ureia. O posicionamento de mercadoria com origem na China (a preços mais competitivos) em mercados como o sudeste asiático tomou uma fatia do mercado tradicionalmente ocupada por fornecedores do Mar Negro e Egito.

Essa dinâmica ampliou a oferta mundial de ureia e deve dissipar a sazonalidade das aquisições, limitando os destinos para a mercadoria dos produtores ocidentais e contribuindo para um piso mais baixo dos nitrogenados durante os próximos meses.

Simultaneamente, relações de preços desfavoráveis para os fertilizantes corroboram para o enfraquecimento da demanda por nitrogênio. O ratio, ou seja, a relação entre os preços da ureia e do milho, sinaliza para uma situação em que o insumo apresenta uma relação favorável com a cultura. Atualmente, a tonelada de ureia equivale a 28,09 sacas de 60 kg de milho em Paranaguá. Esse valor está 8,1% abaixo da média de 30,56 sacas dos últimos cinco anos e sugere que as retrações registradas para os preços da ureia ao longo dos primeiros meses constituíram uma correção em relação aos preços do grão.

Por outro lado, esse panorama foi negativo durante todo o primeiro trimestre e, numa comparação anual, é possível notar que a ureia ainda está mais cara, a despeito da trajetória baixista realizada por seus preços internacionais. Em abril de 2014, a tonelada do composto tinha preço equivalente a 27,51 sacas de milho em Paranaguá, mostrando que ainda há espaço para novas correções baixistas nos preços do nutriente.

É importante destacar que o milho possui cerca de 60% de sua matriz nutricional composta por nitrogenados, e, notadamente, apresenta a possibilidade de decréscimo da tecnologia adotada em seu cultivo durante a segunda safra. Isso faz com que o aumento da participação dos nitrogenados nos custos de produção pressione ainda mais a demanda exercida pela cultura.

A redução de área plantada com milho projetada para a safra 2015/16 nos Estados Unidos confirma a perspectiva de aplicações mais modestas para os próximos meses. Ainda, o prolongamento do inverno pode contribuir para o estreitamento da janela de aplicações no hemisfério norte, suprimindo ainda mais o consumo de ureia. Isso porque a janela de plantio para a soja é mais tardia, o que pode incentivar a rotação para a cultura, menos intensiva em consumo de nitrogênio.

A realização de atividades agrícolas fora de seu período ideal deve acentuar a redução tecnológica, considerando que um atraso na fertilização dos solos retira a eficácia da reposição de nutrientes, o que pode levar a opção de sequer aplicá-los.

Mony Belon, 08/04/2015

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