Governo espera que nova presidência da Petrobras priorize oferta de gás e fertilizantes

Novo nome à frente da estatal, ela terá de encontrar soluções para ofertar maiores volumes de gás e baratear seu preço para a indústria brasileira.
Enquanto aguarda aprovação como conselheira e presidente da Petrobras, Magda Chambriard já tomou pé dos principais pedidos do governo federal. Nessa linha, os primeiros pontos da nova gestão devem ser a questão da oferta de gás e a retomada das fábricas de fertilizantes.
A primeira entrega será a aceleração do projeto Rota 3, cuja entrega está prevista para o início do segundo semestre, possivelmente em julho. A operação, que traz gás natural do pré-sal da Bacia de Santos para o polo Gaslub (RJ), tinha previsão de entrega para agosto, estando dentro do prazo, segundo informou o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da estatal, Carlos Travassos, em teleconferência com investidores antes da mudança no comando da empresa.
O Rota 3 vai escoar 18 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia (m³/dia), dos quais cerca de 15 milhões de m³/dia secos (que não contém petróleo bruto ou condensado).
Outra medida para o curto prazo seria a reativação da fábrica de fertilizantes do Paraná, além das unidades da Bahia e Sergipe, hoje com a Unigel, e a conclusão da planta do Mato Grosso do Sul.
Seriam esses os compromissos mais imediatos da executiva com os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa.
Em toda a gestão Prates, Silveira foi vocal sobre a vontade do governo de reduzir os volumes injetados da commodity em campos de petróleo (a fim de aumentar sua produtividade), e transferir a molécula para oferta à indústria. A essa posição, Prates reagia dizendo ser impossível devido à falta de infraestrutura de transporte imediata.
Uma alternativa é investir para antecipar ao máximo a produção de gás nas águas profundas da Bacia de Sergipe e Alagoas, a mais de 100 quilômetros da costa. Isso requer construir um gasoduto submarino novo para internalizar mais 18 milhões de m³/dia, segundo estimativas já divulgadas pelo diretor Mauricio Tolmasquim. Atualmente, a Petrobras planeja iniciar essa produção somente em 2028.
Solução mais rápida seria correr para reverter o declínio da entrega de gás boliviano para o Brasil, no qual o produto argentino surge como alternativa à importação. Prates havia iniciado sondagens ao país vizinho que podem se intensificar nos próximos meses.
Terra, 21/05/2024.



