Impactos do tarifaço no Brasil sobre o mercado de fertilizantes

Histórico
Os impactos do tarifaço no Brasil. Os EUA devem definir hoje, 15/07/2026, a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos que o Brasil exporta para os EUA.
Segundo o Representante de Comércio (USTR), a medida responde a práticas brasileiras que restringem o comércio, temas como serviços digitais, propriedade intelectual, anticorrupção e desmatamento.
Segundo o USTR, a medida responde a práticas brasileiras restritivas ao comércio, incluindo temas como serviços digitais, propriedade intelectual, etanol, anticorrupção e desmatamento ilegal.
Como resultado, o Brasil contestou a investigação e argumentou que o USTR não comprovou barreiras indevidas ao comércio dos EUA. Para fertilizantes, o principal ponto de atenção é se a lista de exceções será mantida, especialmente para NPK e insumos essenciais da cadeia.
Impactos do Tarifaço no Brasil
O documento, define que todos os produtos brasileiros seriam alvos da tarifa, entretanto estabelece uma relação, contendo produtos que seriam exceções. No que tange o mercado de fertilizantes, a princípio, anterior a confirmação do novo documento, a perspectiva é de pouco impacto.
Os impactos diretos das tarifas dos EUA sobre o mercado brasileiro de fertilizantes tendem a ser reduzidos no curto prazo. A proposta publicada em junho pelo USTR indica que grande parte da cadeia de fertilizantes, incluindo fertilizantes nitrogenados, fosfatados, potássicos e insumos essenciais, consta na lista de exceções, e não na relação de produtos tarifados.
Ademais, as tarifas propostas se aplicam às exportações brasileiras para os Estados Unidos. Nesse sentido, visto que o país importa cerca de 90% dos fertilizantes que consome e apresenta baixa participação nas exportações, o efeito comercial deve trazer impacto reduzido.
Apesar da perspectiva inicial ser de reduzidos impactos do tarifaço no Brasil para o mercado de NPK, o cenário ainda depende da confirmação do novo documento do USTR. O anúncio pode manter, reduzir ou ampliar a lista de exceções, alterando o alcance das tarifas sobre produtos brasileiros.
Dessa forma, o principal risco para o mercado de fertilizantes é indireto devendo se concentrar no câmbio e possíveis retaliações do Brasil aos EUA.
Como aproximadamente 90% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, o preço final em reais é altamente sensível à taxa de câmbio. Se o atrito comercial com os Estados Unidos pressionar o real e provocar desvalorização cambial, o custo de importação pode subir, deteriorando a relação de troca do produtor rural e dificultando a compra de insumos para a safra.
Outros fatores de risco
Por fim, no curto prazo, outros fatores podem ser mais relevantes para os preços dos fertilizantes do que as tarifas americanas, como a política de exportação de ureia da China, a possível volta das exportações chinesas de fosfato em agosto, a oferta de potássio da Rússia, o preço do gás natural para produção de nitrogenados e a escalada de tensões no Oriente Médio.
USTR, adaptado por GlobalFert em 15/07/2026



