Importação de fertilizantes no Brasil em 2025, volumes recordes em um ambiente de preços mais elevados

As importações de fertilizantes no Brasil em 2025 registraram recorde, totalizando 38,3 milhões de toneladas, valor superior ao ano de 2024. O resultado reflete a manutenção de uma alta demanda agrícola brasileira, aliada a uma estratégia de recomposição de estoques e de um movimento de substituição de produtos que foram adotados por produtores e distribuidores frente as condições de preço e disponibilidade.
Em relação aos preços, o mercado foi marcado por valorização dos principais fertilizantes em 2025. Os nitrogenados apresentaram altas relevantes, com a ureia acumulando aumento de cerca de 20% e os nitratos avançando 13,6% em comparação a 2024, refletindo restrições de oferta e maior firmeza da demanda global. Entre os fosfatados, o MAP registrou elevação de 14,3%, influenciado por custos elevados de matérias-primas e pela firmeza da demanda em mercados-chave. Já o cloreto de potássio (KCl) apresentou alta de 11,6%, sustentada por maior disciplina na oferta e ajustes nos fluxos comerciais.
Diante desse cenário, a substituição dos fertilizantes esteve relacionada com a busca por alternativas mais competitivas, com maior flexibilidade na fonte de uso de nutrientes, especialmente em fertilizantes fosfatados e nitrogenados, tendo os volumes de fosfato monoamônico (MAP) e fosfato diamônico (DAP) recuando 30,8% e 26,3% respectivamente, enquanto fontes de fósforo substitutas como superfosfato triplo (TSP) e superfosfato simples (SSP) aumentaram respectivamente 13% e 17%, ambos com destaque para o mês de abril, que foi responsável por 20,7% e 15,7%, respectivamente, da demanda total de cada insumo. Os nitrogenados também apresentaram o mesmo comportamento, com a Ureia registrando queda de 6% no volume, enquanto uma fonte substituta, o sulfato de amônio (SAM), cresceu 27%, com o mês de dezembro tendo maior representatividade na demanda pelo fertilizante, com 14,2%.
A preferência por fertilizantes de menor concentração nutricional exige a aplicação de volumes mais elevados no solo para assegurar o suprimento adequado de nutrientes. Com isso, o produtor precisa adquirir uma quantidade maior de produto para alcançar o mesmo nível de adubação, movimento que contribui para explicar o aumento do volume total importado ao longo do período.
Dessa forma, o aumento das importações em 2025 reflete um movimento de adaptação do mercado aos preços mais elevados dos fertilizantes de maior concentração, com produtores compensando esse custo por meio do uso de produtos menos concentrados, porém em maiores volumes. A dinâmica ajuda a explicar o recorde em toneladas importadas e sinaliza que em 2026 o comprador brasileiro deve seguir atento as oportunidades e estratégias de compra, principalmente diante das restrições chinesas, tarifas comerciais e volatilidade do mercado indiano.



