Inflação encosta em 10% e pressão da moeda americana sobre insumos e fertilizantes influencia
Pressionada pelos preços dos alimentos – que além da sazonalidade refletem a alta do dólar -, e da gasolina e etanol, a inflação oficial atingiu 9,93% em 12 meses até outubro e pode fechar o ano na casa dos dois dígitos se o governo elevar a Cide (imposto sobre combustíveis), conforme já esperam vários analistas.
Segundo o IBGE, a taxa do IPCA no mês passado é a mais alta para 12 meses desde 2003.
O maior impacto veio do aumento do custo da gasolina (5,05%) e do etanol (12,29%), após o reajuste de 6% do derivado do petróleo na refinaria.
Outro vilão do bolso foi o grupo alimentação e bebida, explicado pela pressão da moeda americana sobre insumos e fertilizantes. Entre as maiores altas no mês está o custo do frango inteiro (5,98%), do açúcar (4,43%) e do alho (4,12%).
O risco da inflação ficar ainda maior é o governo decidir elevar o imposto da gasolina ainda neste ano. Seria uma alternativa de arrecadação, para ajudar nas contas públicas, diante da dificuldade em recriar a CPMF (imposto sobre transações financeiras).
“A inflação deve fechar o ano acima de 10% se o governo aumentar o preço da Cide dos combustíveis de R$ 0,10 para R$ 0,40. E nós acreditamos que isso deve ocorrer”, disse Fabio Romão, economista da LCA Consultores.
Marcio Milan, economista da Tendências, também já estima uma alta da Cide em dezembro, mas entende que há pouco tempo hábil para ela tenha impacto sobre os preços ainda neste ano.
Energia elétrica e passagens
Para outros especialistas, o índice pode bater os 10% já neste mês, refletindo o reajuste de 16% da luz no Rio. Para André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, a taxa deve ficar nesse patamar até fim do ano.
Marcel Caparoz, da RC Consultores, lembrou que, mesmo sem a Cide, novembro e dezembro são meses em que historicamente ocorre aceleração dos preços, como nas passagens aéreas, o que deve se repetir neste ano.
Seu Valor, 08/11/2015



