Mercado de fosfatados: demanda reduzida no Brasil favorece recuo nos preços, apesar das restrições na oferta global

O mercado de fertilizantes fosfatados segue com negociações limitadas, refletindo a menor demanda dos principais países consumidores. Apesar das restrições produtivas e dos elevados custos das matérias-primas, a resistência dos compradores no Brasil, na Índia e no Paquistão tem limitado novas altas.
No mercado brasileiro, o adiamento das compras para a safra de soja 2027/28 e o encerramento da principal janela de aquisição de fosfatados, com o plantio da safra de soja 2026/27 já iniciado, reduzem a demanda nacional e favorecem recuos nos preços.
Do lado da oferta, as tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e as dificuldades de navegação pelo Estreito de Ormuz continuam trazendo incertezas ao fornecimento de enxofre, essencial para a fabricação de fosfatados. Os custos elevados mantêm parte das operações da Mosaic, nos Estados Unidos, próximas de 50% da capacidade e contribuem para reduções produtivas no Brasil.
Na China, as restrições às exportações de MAP e DAP permanecem, com quedas de 8,5% e 17% na produção desses fertilizantes entre janeiro e setembro, respectivamente. Esse cenário amplia a dependência internacional de origens como Rússia, Marrocos e Arábia Saudita, que representaram 85% das importações brasileiras de MAP no consolidado de 2026.
Na Ásia, a Índia mantém estoques de aproximadamente 2,35 milhões de toneladas de DAP, reduzindo a necessidade de novas importações e aumentando a resistência às ofertas russas e sauditas. Em Bangladesh, as licitações governamentais movimentaram o mercado com compras previstas de até 500 mil toneladas de DAP e 200 mil toneladas de TSP. Apesar desses negócios, a demanda asiática ainda não demonstra recuperação suficiente para sustentar altas generalizadas.
No Brasil, segundo dados da ANDA, o consumo de fosfatados, medido em P₂O₅, recuou 13% entre janeiro e julho, enquanto as importações de fosfatados diminuíram em 14%. Especialmente no MAP e SSP, em que os dados do GlobalFert apontam para recuos no volume importado de 14,7% e 20,7% no consolidado de 2026, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025.
Para os próximos meses, os principais desafios para o mercado de fosfatados devem permanecer com as restrições de exportação chinesas e os elevados custos do enxofre que limitam a produção global. Adicionalmente, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e as dificuldades logísticas no Estreito de Ormuz ainda devem trazer incertezas ao fornecimento de matérias-primas e fertilizantes.
Vitor Carvalho, especialista no mercado de fertilizantes do GlobalFert



