Mercado global de fertilizantes ensaia recuperação nos preços dos produtos
Em meio a um mercado inundado de oferta e com preços em queda, a China, líder na produção de fertilizantes nitrogenados, está desacelerando suas operações em busca de um equilíbrio. Problemas pontuais têm levado outros países fabricantes ao mesmo caminho, o que daria algum fôlego às cotações do insumo.
Até o primeiro semestre do ano passado, a produção chinesa era impulsionada por políticas governamentais que reduziam os custos da cadeia industrial. O cancelamento destes benefícios elevou os custos com impostos, transporte e eletricidade.
“No caso dos nitrogenados, em números globais, acreditamos que a produção está se adequando à demanda”, afirma o analista do Rabobank, Victor Ikeda.
Quanto ao potássio, importado pelo gigante asiático, a manutenção nos contratos de compra também daria sustentação para os valores praticados neste segmento. “Já acreditamos em uma reversão do movimento de queda para alta [de preços], no potássio ainda para o curto prazo e nos nitrogenados a partir do ano que vem”, acrescenta o especialista. O banco divulgou ontem um relatório setorial sobre o agronegócio chinês.
Os únicos que tendem a se manter em patamares baixistas são os fosfatados, cujos valores são considerados baixos no mercado internacional e devem sentir uma retomada na produção chinesa.
Para o analista da consultoria INTL FCStone, Fábio Rezende, a China é uma incógnita. Segundo ele, a Índia, historicamente compradora do produto chinês, tem se abastecido no Oriente Médio, com importações do Irã, em função dos ajustes na produção da China.
Ucrânia e Egito, também fabricantes de fertilizantes, diminuíram suas taxas operacionais, mas por problemas com governo e escassez de gás natural para produção.
“Não acredito em uma reversão, de fato, no movimento de preços globais. Há um suporte, por conta dos cortes de produção, mas não sabemos até quando isso é possível. Ucrânia e Egito são problemas pontuais”, comenta Rezende.
Entre os meses de janeiro e maio deste ano, as cotações externas do insumo aprofundaram recuo. Na avaliação do zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro, nos últimos dois meses foi possível observar uma retomada nos valores internacionais.
Agora, o mercado está com os olhos voltados para a América do Sul, principalmente Brasil e Argentina. Segundo os especialistas, a indústria aguarda a definição sobre o plantio da safra de verão e o que será destinado à safrinha de 2017, período que será mentor das próximas demandas de fertilizantes.
Para o ano que vem, há expectativa de que os Estados Unidos entram com um pouco mais força nas compras externas, mesmo após o incremento na capacidade de produção interna.
No Brasil
Por aqui, a demanda pelo insumo segue firme. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) mostram que foram entregues 3,92 milhões de toneladas ao consumidor final em agosto. O volume foi 9,9% maior quando comparado ao mesmo mês do ano passado.
No acumulado de janeiro a agosto as vendas totalizaram 20,45 milhões de toneladas de adubos no País, 10,3% mais que em igual período de 2015.
De acordo com a Scot Consultoria, os preços dos fertilizantes subiram ligeiros 0,8% na primeira quinzena de setembro, em relação à segunda quinzena de agosto. O especialista da Scot aposta que no curto e médio prazo os preços tendem a ficar mais firmes.
Ontem, a Petrobras anunciou sua saída do segmento de fertilizantes. Ikeda, do Rabobank, acredita que a medida da estatal não trará grandes impactos ao mercado do insumo, uma vez que 70% da demanda do País é proveniente de produtos importados.
DCI, 21/09/2016



