Mercado

Mercado nacional – consumo de fertilizantes

O desempenho do mercado de fertilizantes continua bastante favorável até o mês de setembro que também teve um grande volume entregue, sendo superado apenas pelo mês anterior que contou com maior número de dias úteis. O total acumulado no ano apresenta um aumento de 4,1% em relação ao ano anterior e os números podem ser conferidos no quadro a seguir.

Observando o quadro acima, podemos verificar que a capacidade instalada e os recursos de logística alcançam um potencial de entregas mensais próximos a 3,5 milhões de toneladas e a indústria de fertilizantes no país tem sido capaz de atender a forte demanda do insumo.

Para os meses restantes do ano poderemos ter um arrefecimento nas entregas mensais por conta da redução no plantio de milho na primeira safra e também do plantio de algodão, culturas que contribuíam fortemente com a demanda nos meses finais do ano, principalmente devido à entrega de fertilizantes nitrogenados para a adubação de cobertura destas culturas.

O gráfico a seguir mostra o comportamento das entregas mensais, onde podemos verificar a diminuição característica das entregas principalmente nos 2 últimos meses do ano.

O estado do Mato Grosso continua liderando o consumo. De janeiro a setembro, o volume entregue neste estado atingiu 4.098 mil toneladas, sendo seguido por São Paulo com 2.820 mil toneladas, Paraná com 2.648 e Rio Grande do Sul com 2.487 mil toneladas.

No gráfico a seguir podemos verificar que as entregas de fertilizantes em 2012 apresentam um comportamento similar ao ano de 2011, apresentando uma tendência de um pequeno acréscimo.

Importações e mercado internacional

A importação total de fertilizantes também segue próxima ao ano anterior e, somada com a produção nacional, mantém um elevado nível de estoque, suficiente para manter as entregas em outubro nos mesmos patamares dos meses anteriores.

É importante ressaltar que os fertilizantes mais consumidos para o plantio tiveram um ritmo de importações similar ao ano anterior, com algumas matérias-primas superando 90% da quantidade esperada para o total deste ano. Como pode ser visto no gráfico a seguir, as importações de nitrogenados é mais atrasada, mas seu comportamento é coerente com o histórico dos anos anteriores e com a demanda maior destes fertilizantes no final do ano.

Os preços médios das importações apresentaram variações pequenas para a maioria dos produtos, com algumas matérias-primas sinalizando uma direção de queda conforme os indicativos do comércio internacional.

Relações de troca

A manutenção dos preços pagos pela soja no mês de setembro garantiu também a manutenção da relação de troca nos baixos patamares que foi alcançado em 2012. Para os fertilizantes fosfatados, a relação de troca alcançada em 2012 é maior apenas que a relação de troca ocorrida em 2009, quando os preços dos fosfatados haviam despencado no mercado internacional. Observar as linhas verdes do gráfico a seguir.

Também com relação ao cloreto de potássio a situação é a mais favorável nestes últimos 6 anos, apesar do esforço dos fornecedores na manutenção dos preços mais elevados de KCl. Considerando os preços alcançados pela soja no momento, a capacidade de compra é a mais favorável dos últimos anos.

Entretanto, esta situação favorável de troca não se mantém se considerarmos os preços esperados para os produtos agrícolas na colheita desta safra que está sendo plantada e certamente será um fator negativo para o consumo de fertilizantes no próximo ano.

Os preços dos fertilizantes praticados no mercado interno mostram-se estáveis, garantidos pelo pico demanda. Entretanto, os preços indicados no mercado internacional apresentam uma tendência de redução para os fosfatados e para o potássio, mas podemos esperar o início do recuo dos preços no mercado interno apenas quando a fase de plantio estiver superada. Confira as indicações de preços dos fertilizantes no mercado internacional nas tabelas a seguir.

Os fertilizantes nitrogenados apresentam variações semanais sem indicar uma direção certa de alta ou de baixa. Entretanto podemos esperar um período de aumento de preços no início do próximo ano diante do aumento da demanda para o plantio no hemisfério norte.

Os fertilizantes fosfatados estão com indicação de queda, não conseguindo se sustentar devido à fraca demanda mundial e que não deve ser pressionada mesmo para o plantio do hemisfério norte e por isso, as compras podem ser adiadas, mantendo-se apenas a aquisição de produtos para o uso no curto prazo.

A maior expectativa de queda é para os fertilizantes potássicos. Os preços são mantidos elevados pela forte organização dos produtores mundiais, mas a fraca demanda e perspectiva de diminuição das compras da China e da Índia atuam como uma onda que cobre um castelo de areia, desmanchando a forte estrutura montada pelos produtores que não tem como resistir e os preços já vem mostrando uma queda pequena nas últimas semanas como mostra o quadro a seguir.

No momento é mais evidente a força da China que vem se preparando há vários anos para enfrentar os fornecedores com aumento substancial da produção interna e garantindo o suprimento através de investimentos em empresas fora do país e que já são suficientes para atender 2/3 do consumo do país. Por outro lado, aumentou significativamente os seus estoques que ultrapassam 5 milhões de toneladas de KCl e assim podem até deixar de efetuar novas compras dos grandes fornecedores se os preços não recuarem, sinalizando que só voltará a comprar se os contratos que atualmente fixam o preço em US$470,00 não recuarem para US$350,00/t. Sem a China e sem a Índia, a demanda despenca e mesmo o fechamento de unidades produtoras do grupo de empresas controladas pela Canpotex e BCP não deve ser capaz de segurar os preços e além disso, estas empresas ainda devem amargar uma significativa perda de vendas e com isso redução nos lucros como já demonstram os resultados financeiros do último trimestre.

Considerando que o mercado interno está bem abastecido, as compras devem ser adiadas para esperar uma definição melhor dos novos patamares de preço para os fertilizantes potássicos pelos quais o Brasil vem pagando muito mais que os outros grandes compradores mundiais.

Scot Consultoria, 30/10/2012

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