Molibdênio mantém trajetória de alta em 2026 diante de restrições de oferta e déficit global

O mercado de molibdênio segue entre os mais firmes do complexo de metais industriais em 2026. Desde julho, as cotações vêm sendo sustentadas por uma combinação de oferta global restrita, sucessivas interrupções na produção sul-americana e perspectivas de déficit estrutural no mercado internacional. O preço médio do metal na LME avançou de US$ 70.211/t em julho para US$ 73.488/t em agosto e atingiu US$ 74.031/t em setembro.
A pressão altista começou a ganhar força durante o inverno chileno. Em julho, tempestades severas afetaram importantes operações de cobre e molibdênio, incluindo Caserones, Los Pelambres e minas da Codelco, reduzindo a disponibilidade do metal em um momento em que o mercado já projetava déficit de aproximadamente 13 mil toneladas para 2026.
Em agosto, os problemas de oferta se aprofundaram. A Lundin Mining revisou para baixo as projeções de produção da mina Caserones após os impactos climáticos, enquanto outras produtoras chilenas reportaram queda nos teores do minério e menor recuperação metalúrgica. Na China, cortes de produção em Henan, restrições regulatórias e fiscalizações ambientais limitaram a disponibilidade de concentrado, contribuindo para que os preços da cadeia atingissem os maiores níveis dos últimos três anos.
Ao mesmo tempo, a demanda apresentou maior resiliência do que o esperado. Mesmo com a siderurgia chinesa operando em ritmo sazonalmente mais fraco, o consumo ligado ao setor de semicondutores continuou crescendo. A utilização do molibdênio como alternativa ao tungstênio em determinadas aplicações eletrônicas passou a representar um importante vetor de suporte para o mercado, ajudando a equilibrar a menor atividade do segmento siderúrgico.
Em setembro, os preços permaneceram próximos das máximas recentes, embora tenham mostrado sinais de estabilização. Os valores elevados reduziram o apetite de compra das siderúrgicas chinesas e as licitações de ferromolibdênio ficaram cerca de 15% abaixo do registrado no ano anterior. Ainda assim, a produção chilena continuou em queda expressiva, com retração acumulada de 11,3% entre janeiro e julho, além da forte redução operacional observada em Sierra Gorda e dos riscos de paralisação em Centinela.
O principal fator de sustentação permanece sendo o desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda. No segundo trimestre de 2026, o consumo global de molibdênio superou a produção em 4.672 toneladas, reforçando a percepção de escassez no mercado internacional. A ausência de novos projetos relevantes entrando em operação no curto prazo também contribui para manter as expectativas de preços elevados para o restante do ano.
No mercado brasileiro, esse cenário já se reflete nos custos de aquisição. O preço médio de importação do trióxido de molibdênio avançou de US$ 40.634/t em julho para US$ 41.272/t em agosto e alcançou US$ 43.126/t em setembro, com o Chile permanecendo como principal fornecedor do produto importado pelo país.
Dessa forma, o mercado de molibdênio segue marcado por restrições produtivas, especialmente na América do Sul, e por uma demanda que, apesar de seletiva, continua suficiente para manter o metal em patamares historicamente elevados ao longo de 2026.
Murilo Curtolo, especialista no mercado de fertilizantes do GlobalFert



