Oferta restrita e produção concentrada elevam a relevância do custo por ponto de P nos fosfatados

O mercado global de fosfatados é estruturado a partir de três insumos estratégicos: rocha fosfática, enxofre e amônia. A rocha, base física da cadeia, encontra-se concentrada em poucos países, com protagonismo do Marrocos, por meio do OCP Group e da Arábia Saudita, onde a Ma’aden opera de forma integrada, da mineração ao produto. O enxofre, fundamental para a produção de ácido sulfúrico, e a amônia, insumo-chave na fabricação de MAP e DAP, conectam o setor à dinâmica do petróleo, do gás natural e dos nitrogenados, conferindo à cadeia uma estrutura de custos fortemente sensível ao ambiente energético internacional.
No cenário atual, o principal vetor é a restrição de oferta. A China deve manter as exportações restritas até agosto de 2026, reduzindo a disponibilidade internacional e sustentando preços em níveis elevados. Com menor presença chinesa, o mercado fica mais dependente do Norte da África e do Oriente Médio, aumentando a concentração da oferta global.
Ao mesmo tempo, crescem as preocupações logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para embarques do Golfo Pérsico, em meio às tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. Em 2025, a rota foi responsável por aproximadamente 25% das importações brasileiras de MAP, evidenciando o grau de exposição do país à região. A Arábia Saudita tem papel central no comércio marítimo de MAP e DAP, com embarques concentrados em Ras al-Khair. Qualquer interrupção nesse corredor logístico pode afetar a disponibilidade global e elevar preços de frete e seguro. Além disso, o custo produtivo segue pressionado, especialmente pelo enxofre, reforçando o viés altista.
Nesse ambiente, o “custo por ponto de P₂O₅” torna-se métrica-chave. O indicador permite comparar fontes diferentes com base no valor efetivo pago por unidade de fósforo. Em momentos de valores a maiores patamares para produtos mais concentrados, alternativas como SSP e TSP podem ganhar competitividade sob a ótica estritamente econômica. Já MAP e DAP incorporam vantagens ligadas à maior concentração, à eficiência logística e, no caso do MAP, ao fornecimento adicional de nitrogênio.
Para o Brasil, grande importador de fosfatados, essa equação é ainda mais sensível, oscilações no enxofre, na amônia e no frete impactam diretamente a paridade de importação e o preço final ao produtor. Movimentos domésticos, como limitações pontuais na comercialização por parte da Mosaic, também reduzem a disponibilidade e ampliam a volatilidade.
Portanto, em um cenário de margens agrícolas mais pressionadas, a relação de troca e a análise por ponto de P tornam-se ferramentas estratégicas. A combinação de oferta concentrada, risco geopolítico e custos elevados exige decisões cada vez mais técnicas para garantir competitividade e previsibilidade no abastecimento do campo brasileiro.
GlobalFert, 04/03/2026.



