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Superávit de Minas recua 18%, com participação importante de fertilizantes a base de potássio

Devido à dependência das exportações estaduais das commodities, que por sua vez têm os preços determinados pelo mercado global, e à crise econômica do País, que impacta também a compra de bens importados, o comércio exterior de Minas Gerais enfraqueceu em 2015. No ano passado, houve queda de exportações e importações e o saldo comercial, apesar de positivo, recuou quase 28% em relação ao de 2014.

O enfraquecimento do comércio exterior do Estado pode ser medido pela corrente comercial, que é a soma das exportações e importações. Em 2015, Minas movimentou US$ 30,785 bilhões com as compras e vendas no mercado mundial, uma queda de 23,7% em relação ao total de 2014, quando somou US$ 40,328 bilhões.

A maior parte da diferença, cerca de US$ 9,5 bilhões está no valor gerado com embarques, que representou 75,8% do montante, explica o economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Guerra. Ele esclareceu que o forte vínculo da economia mineira com as commodities, especialmente o minério de ferro, prejudicou o desempenho do comércio exterior porque os preços desses produtos são determinados pelas oferta e demanda mundial.

“Os preços das commodities de exportação, em particular do minério de ferro, tiveram forte redução em 2015 e isso fez com que o valor dos embarques estaduais caísse, mesmo com o Estado exportando volumes maiores, como foi o caso do próprio insumo siderúrgico”, ressalta o economista da Fiemg.

Em 2015, as exportações estaduais renderam US$ 22,009 bilhões contra US$ 29,320 bilhões em 2014, uma retração de praticamente 25%. O minério de ferro foi responsável por 28,1% dessa receita mas, por causa da queda de preços, perdeu praticamente 12 pontos percentuais de participação, na mesma comparação.

Mesmo embarcando 12,2 milhões de toneladas do insumo siderúrgico a mais em 2015 na comparação com 2014, o Estado não conseguiu compensar a queda dos preços, que caiu pela metade, em média, entre os dois exercícios. Os embarques de minério somaram US$ 6,194 bilhões em 2015, 47,3% a menos que em 2014 (US$ 11,760 bilhões).

Para o professor de comércio internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), Pedro Kraus, exportar minério em si não é um problema, mas não exportar outros produtos, sim. “Não tem prodblema exportar minério, o problema é a importância dele na pauta diante da falta de organizaçã de outros setores para ocomércio exterior”, observa.

Café

Também houve queda nas exportações de café, outro importante produto da pauta exportadora, atrás apenas do minério de ferro. A receita com os embarques do grão em 2015 somou US$ 3,668 bilhões ante US$ 4,111 bilhões em 2014, uma redução de 10,7%. Em volume, houve uma queda de 2,3%, agravada por um decréscimo de 8,7% no preço médio, na mesma base de comparação.

Entre os dez principais itens da pauta de exportações mineira, todos produtos básicos, apenas o outro, por sofrer menos influência sobre a oferta e demanda ao longo dos anos, e a soja, devido aos preços mais competitivos por causa do câmbio desvalorizado, tiveram evolução de receita gerada com os embarques em 2015, de 4,5% e 5,7%, respectivamente.

As compras do Estado no exterior também caíram, mas em menor proporção que as vendas externas. Em 2015, o Estado importou US$ 8,776 bilhões em mercadorias, com retração de 20,2% em relação ao total de 2014 (US$ 11,008 bilhões). A hulha betuminosa, que é o carvão mineral usado pela indústria ciderúrgica, foi o item mais importado, com uma participação de 5,3%.

“A queda das importações é fruto da desaceleração econômica, ainda mais forte na indústria, que comprou menos em 2015”, justifica o economista da Fiemg. Além da hulha betuminosa, outros produtos como fertilizantes à base de potássio e automóveis também tiveram participação importante nas compras externas de Minas.

 

Diário do Comércio, 07/01/16

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