Ureia registra recuo de preços após altas de abril

Os preços internacionais da ureia registraram queda de 3,7% da primeira para a segunda semana de junho, em movimento influenciado por dois fatores principais: a expectativa de retorno de volumes chineses no mercado global e a sinalização de revisão dos preços mínimos de exportação anteriormente estabelecidos pelo país.
Em abril as cotações da ureia dispararam para US$ 834/t FOB nas principais origens do insumo para o país, impactadas pelos desafios logísticos, menor produção e incertezas decorrentes do conflito no Oriente Médio, recuando em seguida para US$ 545/t FOB na 1ª semana de junho, uma desvalorização de 34% em relação ao pico de abril.
Um dos principais motivos para a queda é a expectativa de que a China poderá liberar a exportação de até 3,3 milhões de toneladas do fertilizante até 30 de setembro. Paralelamente, o piso de preço para exportação, inicialmente fixado acima de US$ 660/t FOB, deverá ser ajustado para baixo, alinhando-se às cotações atuais praticadas no mercado internacional.
O ambiente de demanda global segue contido em consequência dos custos ainda elevados e a finalização de maior parte das movimentações de compra no hemisfério norte, o que amplia a pressão de queda sobre as cotações. O leilão da NFL, na Índia, um dos principais termômetros de preço do mercado asiático, registrou ofertas mínimas de US$ 445/t CFR e US$ 450/t CFR entre as costas leste e oeste do país. Os preços ficaram ligeiramente acima das expectativas iniciais do mercado. Ainda assim, o elevado volume ofertado e o retorno da China ao mercado exportador devem ampliar a competição entre os fornecedores em junho.
Importações brasileiras recuam com força em maio
Mesmo com as recentes quedas no preço, o mercado da Ureia ainda apresenta uma demanda retraída O Brasil internalizou 116 mil toneladas de ureia no mês de maio, volume 63,8% inferior às 320,8 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025, queda expressiva que reflete a combinação entre preços ainda em ajuste e ritmo mais lento de compras por parte dos importadores.
Nos primeiros cinco meses de 2026, o volume importado de ureia registrou uma queda de aproximadamente 25% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A composição das origens também se transformou de forma relevante entre os dois períodos. Em maio de 2026, Rússia e Omã concentraram juntas mais da metade do volume importado, com participações de 28,3% e 24,0%, respectivamente. Bolívia apareceu em terceiro lugar, com 13,9%, seguida por Argélia (8,6%) e Nigéria (5,6%). Em maio de 2025, o perfil era distinto: Nigéria dominava o fluxo com 30,7% do total, seguida por Argélia (22,5%) e Rússia (14,1%), que, ao contrário das outras duas, manteve e até ampliou sua relevância relativa no período mais recente. Arábia Saudita, que respondia por 9,9% das importações em maio de 2025, não registrou volumes em maio de 2026. Venezuela, por sua vez, reduziu sua participação de 9,3% para 4,7%, enquanto Bolívia ganhou espaço, passando de 6,4% para 13,9%. Refletindo também o cenário de conflito geopolítico que afetou a produção do Oriente Médio e Norte da África.
A ureia no contexto agrícola brasileiro
A ureia é o principal fertilizante nitrogenado do Brasil, mas a baixa produção nacional exige volumes significativos de importações, atrelando seu custo ao câmbio e ao mercado internacional. Vital para a produtividade de culturas como milho, soja, cana e café, o insumo possui uma demanda altamente sazonal, concentrada no segundo semestre devido às compras antecipadas para as safras de verão e safrinha.
GlobalFert 12/06/2026



