Anglo American deve negociar ativos de fosfato no Brasil
Além dos ativos de nióbio e fosfato no Brasil, a Anglo American poderia estar negociando o projeto Minas-Rio, com várias atividades dentro do Estado. O problema de uma eventual negociação do megaempreendimento minerário é que dificilmente a mineradora conseguiria um comprador que pagasse perto dos US$ 15 bilhões gastos com o projeto, entre aquisição de ativos e investimentos para entrar em operação.
A Anglo não admitiu que o Minas-Rio está em negociação, mas confirmou em relatório de produção divulgado ao mercado, na semana passada, que “a estratégia de produção para o Minas-Rio está sendo revisada para garantir custos operacionais mais baixos”. Além disso, enquanto informações de mercado dão conta que as propostas chegam à mesa da mineradora no próximo dia 15, a companhia confirmou que um dia depois divulgará um novo plano de negócios para seus projetos ao redor do mundo, inclusive do empreendimento.
Em nota enviada à reportagem, a Anglo afirmou que, “em dezembro de 2015, por meio de seu CEO (chief executive officer) global, Mark Cutifani, venderia seus negócios de nióbio e fosfatos no Brasil. Na mesma data, informou também que divulgaria os planos para seu portfólio global futuro em 16 de fevereiro de 2016”.
A produção do Minas-Rio, cuja atividade de lavra fica em ativo localizado entre Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas (Médio Espinhaço), atingiu 9,2 milhões de toneladas de minério de ferro, menor do que as 10 milhões de toneladas previstas pela mineradora, conforme revisão dos planos divulgada em dezembro do ano passado. Antes, a mineradora chegou a projetar um volume entre 11 milhões de toneladas e 14 milhões de toneladas.
Além disso, na ocasião a Anglo também informou que o ramp-up (aumento gradual da produção) do Sistema Minas-Rio só deve ser concluído em 2018 e não este ano, conforme anunciado previamente pela companhia. A previsão é de que com a conclusão desta fase, o complexo alcançará a capacidade máxima de produção de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
Operações – Com início de operações programado inicialmente para 2009, o Minas-Rio entrou em atividade apenas em outubro de 2014, quando foram realizados os primeiros embarques de minério para a China. O sistema foi adquirido pela Anglo da MMX Mineração e Metálicos, que chegou a fazer parte do império de empresas do empresário Eike batista, em 2007, por US$ 1,1 bilhão.
Inicialmente, a negociação envolveu 49% do projeto, que compreendia na época apenas a mina e a planta de beneficiamento. Depois, em agosto de 2008, a Anglo comprou por US$ 5,5 bilhões o restante do empreendimento, 49% do terminal portuário e 70% de um ativo minerário em Amapá. Além das minas e do terminal portuário, o empreendimento conta com um mineroduto de 529 quilômetros de extensão.
O investimento total no projeto (US$ 8,4 bilhões) ultrapassou em 180% a estimativa inicial da Anglo de US$ de 3 bilhões para colocar o sistema em operação. Isso porque a construção do empreendimento enfrentou uma série de problemas, a maior parte ligada ao acesso às terras e ao licenciamento ambiental e a mineradora revisou várias vezes o orçamento.
Se o valor total da negociação (US$ 6,6 bilhões) for adicionado aos US$ 8,4 bilhões que o projeto demandou para entrar em operação, o gasto no empreendimento chega a algo próximo de US$ 15 bilhões, investimento muito mais alto que o previsto quando a Anglo começou a apostar no projeto.
Diário do Comércio, 02/02/2016



