Mosaic compra ativos de fertilizantes da ADM
A multinacional americana de fertilizantes Mosaic anunciou ontem que entrou em acordo definitivo para adquirir o negócio de fertilizantes da Archer Daniels Midland (ADM) no Brasil e no Paraguai. O negócio foi fechado por US$ 350 milhões, incluindo US$ 150 milhões em capital de giro. A operação segue passo semelhante da norueguesa Yara, que concluiu em 2013 a aquisição dos negócios de adubos da Bunge no país.
A transação entre Mosaic e ADM inclui quatro unidades misturadoras e armazéns no Brasil – localizados em Paranaguá (PR), Rondonópolis (MT), Uberaba (MG) e Catalão (GO) – e uma fábrica e um terminal fluvial em Villeta, no Paraguai.
A expectativa é que a aquisição acelere significativamente os já anunciados planos de crescimento da Mosaic no Brasil, informou a empresa em comunicado. Sua distribuição de fertilizantes passará de 4 milhões para 6 milhões de toneladas com a aquisição. Fontes do setor estimam que a participação da Mosaic no mercado nacional esteja em 14% e que a da ADM seja inferior a 5%.
De acordo com o comunicado, a incorporação do negócio de distribuição de fertilizantes da ADM no Brasil e no Paraguai atende a duas prioridades estratégicas. “Ela reforça nossa estratégia de crescimento global e expande nosso acesso ao mercado”, disse James T. Prokopanko, presidente e CEO global da Mosaic, no comunicado. As empresas negociaram um acordo de fornecimento por meio do qual a Mosaic suprirá a demanda da ADM por adubos no Brasil e no Paraguai por cinco anos.
Também em comunicado, Patricia A. Woertz, CEO da ADM, disse que a longa cadeia de valor inerente ao negócio de fertilizantes, juntamente com a forte concorrência de empresas totalmente integradas que entraram no segmento, impediram que a operação atendesse de forma consistente os objetivos de retorno da companhia. “Com a venda de nossos ativos de mistura, melhoraremos nossos retornos e manteremos nosso relacionamento na originação com os principais produtores no Brasil e no Paraguai”, afirmou Patricia.
Com sede em Plymouth, nos Estados Unidos, a Mosaic é uma das maiores produtoras globais de fosfatados e potássio, com entrega de cerca de 20 milhões de toneladas de fertilizantes para 40 países. Em 2013, a empresa registrou lucro líquido atribuível à companhia de US$ 1,063 bilhão, redução de 42,6% sobre 2012. As vendas líquidas no ano passado foram 10,1% menores que em 2012 e totalizaram US$ 9,027 bilhões.
Tobias Grasso, presidente da Mosaic no Brasil, afirmou ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, que a aquisição das cinco unidades de mistura e armazenamento da ADM vai possibilitar a atuação da Mosaic em regiões como Rondonópolis (MT) e Catalão (GO), por exemplo, além de permitir o acesso ao Paraguai, onde é crescente a produção de soja e milho.
A unidade da ADM no Paraguai, de acordo com Grasso, é a única de fertilizantes em operação no país vizinho, que normalmente se abastece de adubos no Paraná. Além disso, tem a vantagem de ser ligada a um terminal fluvial.
A sinergia entre as duas companhias vai ampliar a base de clientes, disse. “Trará um melhor custo para a gente poder operar e atender à agricultura nacional”, afirmou ele. De acordo com Grasso, nos últimos três a quatro anos, a empresa cresceu a taxas superiores às do mercado.
A expectativa é que cerca de 500 funcionários da ADM sejam incorporados aos 1.000 da Mosaic. O negócio ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Aguardamos um ritual processual normal”, disse o presidente da Mosaic no Brasil.
Além de atuar nos EUA e no Brasil, a Mosaic já tem operações na Argentina, Canadá, Chile, China, Índia e Austrália. No Brasil, a companhia conta com 13 unidades próprias e contratadas de fertilizantes nos Estados da Bahia, Goiás, Minas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, além de uma unidade de nutrição animal em Paranaguá (PR).
A empresa americana também está concluindo, no Brasil, investimentos de cerca de US$ 100 milhões que incluem a expansão de terminais portuários, de unidades industriais e da capacidades de produção. Em fevereiro deste ano, a Mosaic anunciou a criação de uma unidade fabril em Cubatão (SP) chamada Cefértil, viabilizada por uma parceria exclusiva com a Cesari, empresa do ramo logístico.
Além da unidade em Cubatão, os principais projetos contemplam a expansão da unidade da Fospar, em Paranaguá, para aumentar a capacidade de descarregamento e armazenagem de produtos. Há ainda investimento na expansão da unidade de Candeias (BA) e na duplicação da unidade de Sorriso (MT).
O acordo para a aquisição da área de fertilizantes da ADM pela Mosaic representa uma tendência observada no mercado nos últimos anos: as tradings têm deixado de atuar na exploração e na produção de fertilizantes, transferindo-as a empresas do ramo. A Yara, que tinha 10% de participação no mercado brasileiro, passou a 25% com a aquisição dos negócios de adubos da Bunge.
Uma fonte do setor diz que o recente acordo de aquisição feito pela Mosaic não deverá alterar o mercado, pois a companhia vai adquirir os negócios de uma empresa que já atuava no país e com participação pequena nesse mercado. Conforme a fonte, o mesmo ocorreu quando a Yara comprou a Bunge – empresa que sozinha, no passado, chegou a ter uma participação de quase 35% no mercado de fertilizantes no país.
Valor Econômico, 16/04/2014
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