Queda das cotações das commodities agrícolas afetou ações da Heringer
O recuo das cotações internacionais da soja (21,11%) e do milho (6,7%) no ano passado, fruto da expectativa de uma abundante oferta global na atual safra 2014/15, atingiu em cheio as ações de BrasilAgro, SLC Agrícola e Vanguarda Agro, as três companhias de produção agrícola do país listadas na BM&FBovespa. A baixa de 25,64% nos preços do algodão, diante do esfriamento da demanda, também colaborou para o desempenho ruim dos papéis.
Em meio a prejuízos ou lucros pequenos ao longo de 2014, as ações da BrasilAgro encerraram o ano em queda de 3,81%, as da SLC Agrícola, 29,46%, e as da Vanguarda, 68,42% – esta última, a baixa mais aguda dentre as principais companhias do agronegócio negociadas na bolsa paulista. Conforme levantamento do Valor Data, a deterioração do valor dos papéis no ano passado se acelerou no segundo semestre, e entre novembro e dezembro atingiram o nível médio mais baixo de 2014.
Cautelosas em relação ao novo ciclo 2014/15, BrasilAgro e Vanguarda optaram por diminuir a área plantada em 1,1% e 9,7% ante 2013/14, respectivamente, para 82,2 mil e 254,2 mil hectares. O temor de margens negativas justificou a redução da BrasilAgro, enquanto para a Vanguarda o clima adverso teve peso importante na decisão. Já a SLC decidiu investir no aumento do plantio: nos últimos três anos, a empresa ampliou a área em 50%, e para esta safra o crescimento previsto é de 5,9% ante a passada, a 363,8 mil hectares.
Contra a volatilidade das cotações, as três companhias têm se empenhado em uma estratégia de hedge, travando parcelas significativas da colheita prevista para o início de 2015, em alguns casos a preços superiores aos praticados na bolsa de Chicago – o que poderá gerar resultados melhores nos próximos trimestres.
Com o objetivo de melhorar sua liquidez, a Vanguarda divulgou em novembro um aumento no capital social de R$ 150 milhões, para reduzir o endividamento e alongar o perfil da dívida. As medidas foram bem vistas pelo mercado: desde o anúncio, no dia 12 daquele mês, até ontem, o papel da companhia se valorizou quase 9% – ainda que continue no delicado patamar de R$ 1 por ação.
O cenário negativo para grãos e fibras respingou também no setor de insumos. As ações da Fertilizantes Heringer recuaram 24,7% em 2014. A queda das cotações das commodities agrícolas afetou o preço dos adubos.
Valor Econômico, 07/01/2015



