Vale fecha acordo com Petrobras para projeto em SE
A Vale conseguiu fechar com a Petrobras um contrato de arrendamento de 30 anos para exploração das reservas de carnalita, minério do qual se extrai o cloreto de potássio, de propriedade da petroleira estatal, em Sergipe. O acerto, depois de várias rodadas de negociação, vai permitir à mineradora tirar do papel um megaprojeto de produção de fertilizantes no Estado, estimado em US$ 4 bilhões.
A assinatura do contrato deve ocorrer amanhã ou no início da semana e vai contar com a presença da presidente da República, Dilma Roussef. A chefe do executivo intermediou as negociações entre as duas empresas, retomadas em julho do ano passado, viabilizando o negócio. Hoje, o conselho de administração da Vale se reúne de forma extraordinária para aprovar a transação.
Os termos do contrato não prevê desembolso imediato de recursos por parte da mineradora. A Vale vai pagar à Petrobras um percentual da receita que o projeto de carnalita auferir, apurou o Valor. A operação também não está vinculada a uma troca de ativos envolvendo uma planta de nitrogenados da Vale Fertilizantes em Araucária (PR), ainda em fase de conversas com a Petrobras, sem data para fechar. E não tem vínculo com o contrato de carnalita, asseguraram fontes que participam da negociação.
Outro ponto destacado pelas fontes no contrato de arrendamento é o que mantém ainda em poder da Petrobras uma pequena área da região onde se localizam as reservas sergipanas de carnalita. A área mantida pela Petrobras poderá ser liberada pela Vale daqui a um ano, caso não haja sucesso na pesquisa que a estatal está desenvolvendo na região para verificar se existe potencial de produção de óleo e gás local.
Com base nos termos do documento de arrendamento, a Vale está reavaliando dois cenários para implantação do projeto de carnalita nos próximos três anos.
Um cenário mais otimista que projeta produção de 2,2 milhões de toneladas de adubos em 2015, explorando a carnalita de toda a área reserva, que inclui Taquari-Vassouras, onde a Vale já faz 600 mil toneladas/ano de cloreto de potássio e as áreas de Maruim, Jataratuba e Castanhal. Neste caso, o investimento total do empreendimento que inclui mina de carnalita e uma unidade química de processamento de adubos continua estimado em US$ 4 bilhões.
Um outro cenário prevê que a parte da área de reserva de carnalita ocupada em Sergipe pela Petrobras não seja liberada por conta das descobertas de óleo e gás da estatal. Neste caso, a mineradora terá uma planta menor, com produção de 1,2 milhão de toneladas anuais, o que vai baratear o investimento, com valor ainda não estimado.
Após a assinatura do contrato com a Petrobras a Vale pretende terminar os estudos do projeto entre o segundo semestre deste ano e o primeiro semestre de 2013.
O projeto da Vale de produção de adubos de Sergipe – seja para 2,2 milhões de toneladas, seja para 1,2 milhão de toneladas – é estratégico pois vai permitir ao Brasil reduzir a dependência de matéria-prima estrangeira.
Neste ano, a Vale programou investir na área de fertilizantes cerca de US$ 1,23 bilhão.
Valor Econômico, 09/02/2012



