Vale planeja vender mina de potássio na Argentina
A Vale planeja colocar à venda a concessão minerária de potássio na Província de Mendoza, na Argentina, onde se localiza o projeto Rio Colorado. A implantação do projeto foi suspensa esta semana pela companhia devido aos custos do investimento necessário, que saltaram de US$ 5,9 bilhões para US$ 10,9 bilhões por conta do câmbio local, apurou o Valor.
A empresa quer fazer um “data room” para vender a concessão, incluindo a mina e equipamentos e serviços já instalados. A ideia é reduzir as perdas com o projeto, superiores a US$ 2 bilhões. Em entrevista ontem a veículos locais, o governador de Mendoza, Francisco Pérez, disse que o projeto prosseguirá “com ou sem a Vale”, abrindo espaço para a revogação da concessão da mina, equivalente a uma expropriação. Nessa hipótese, que não exclui a possibilidade de a Vale pedir compensações judiciais pelos investimentos já realizados, a concessão seria novamente licitada pelo governo local.
Paralelamente, a Vale foi convocada pelo governo argentino para uma reunião hoje no Ministério do Trabalho do país para definir a situação dos trabalhadores contratados para tocar o projeto. São 3,5 mil pessoas empregadas de forma direta pelos prestadores de serviço da empresa, entre eles a Odebrecht, líder do Consórcio Rio Colorado, encarregado da construção da mina.
Rio Colorado era o projeto âncora do segmento de potássio da Vale Fertilizantes, com potencial para produzir 4,3 milhões de toneladas anuais. Fontes próximas à empresa realçam que foram muitos os desafios para levá-lo adiante, mas que os desequilíbrios macroeconômicos do país vizinho foram mais fortes. Além do acréscimo de custos, afirmam essas fontes, pedidos das províncias por onde ia passar a logística “levaram o projeto de um estado de viabilidade para um estado de inviabilidade”. O projeto não conseguiu apresentar retorno para a Vale.
Em quase um ano de negociações, quando foram realizadas inúmeras reuniões entre a Vale e os argentinos para tentar manter o projeto de pé, a companhia não construiu nenhuma estratégia paralela para o potássio. “Não tem Plano B”, disseram as fontes. A Vale Fertilizantes agora terá que construir uma nova estratégia para a área.
O projeto Carnalita pode ser uma alternativa a Rio Colorado. No segundo semestre, o projeto, localizado em Sergipe e que está em fase de estudos, deverá ser apresentado ao conselho de administração da mineradora para aprovação. A previsão é produzir 1,2 milhão de toneladas de potássio. O investimento, estimado e ainda sem confirmação, chega a US$ 4 bilhões.
Mas o Valor apurou que não há intenção de apresentar nada de “afogadilho”. Não existe hipótese de acelerar Carnalita por conta do revés no Rio Colorado, já que o projeto tem que ser avaliado em uma engenharia detalhada e rigorosa.
Até meados do ano passado, a Vale tinha uma lista de projetos de potássio que foram minguando. Além do projeto Carnalita, no Brasil, os outros eram Kronau, no Canadá, com potencial para 2,9 milhões, e Neuquém e Rio Colorado, ambos na Argentina, com produções previstas de 1 milhão e 4,3 milhões de toneladas, respectivamente. Juntos, somavam 9,4 milhões de toneladas de potássio, produto que a dependência brasileira de importações é enorme (ver ao lado).
A carteira atual de potássio da Vale se reduz a uma operação também em Sergipe – Taquari-Vassouras, com produção de 600 mil toneladas por ano -, ao projeto Carnalita e ao de Neuquén, este último em fase de estudos de pré-viabilidade. Mas como está na Argentina, seu destino é incerto. Kronau foi colocado à venda em dezembro. Apesar desses cortes, muito em função da crise global, que reduziu o preço do minério, fontes da Vale dizem que a empresa mantém a área de fertilizantes entre os prioritários, junto com minério de ferro, carvão metalúrgico e cobre.
Valor Econômico, 13/03/2013



