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Vale pode vender negócios de fertilizantes

A Vale analisa o que fazer com os negócios de fertilizantes e estuda vender os ativos da divisão, afirmaram fontes familiarizadas com o assunto ao jornal local The Globe and Mail. O portfólio de fertilizantes da mineradora brasileira inclui a mina Taquari-Vassouras e o projeto Carnalita, ambos em Sergipe, além de operação de rocha fosfática no Peru e projetos no Canadá e na Argentina, incluindo o projeto Kronau.

“Tem havido muita conversa de que a Vale pode estar considerando vender o seu negócio de fertilizantes. Se você está preparando seus ativos para venda, você quer aumentar o valor de seu portfólio “, disse Joel Jackson, analista do Banco de Montreal (BMO).

A Vale, maior fornecedora de minério de ferro do mundo e uma grande produtora de outros metais, está sob pressão para vender ativos em meio a uma expansão de quase US$ 20 bilhões de seu complexo de minério de ferro em Carajás.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que a mineradora tem calculado quanto os negócios de fertilizantes poderiam valer em uma venda. A divisão é responsável por cerca de 6% da receita operacional da mineradora brasileira. A maior parte do ativo fica no Brasil e inclui minas de rocha fosfática e plantas que produzem insumos intermediários para fertilizantes em São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Questionada se a Vale considera vender seus ativos de potássio, uma porta-voz da companhia disse que a mineradora está à procura de parceiros estratégicos para projetos de potássio e fosfato.

As perspectivas para a safra de nutrientes não são tão boas devido à entrada de nova oferta de potássio no mercado, de forma que a presença dominante norte-americana e de players russos de fertilizantes não é mais capaz de influenciar os preços.

A Vale e a BHP Billiton parecem inseguras sobre como proceder com seus respectivos projetos de desenvolvimento de potássio em Saskatchewan e não deram um sinal claro de quando vão seguir em frente e se isso vai acontecer.

A mineradora ainda estuda se seria econômico construir sua mina, a Kronau, e a BHP tem sido vaga sobre quando ela poderá construir a mina Jansen, mesmo tendo desembolsado US$ 3,8 bilhões com o desenvolvimento do ativo.

Ambos os projetos têm o potencial de derrubar o mercado do potássio, que tem sido controlado por três produtores norte-americanos e, até 2013, por um cartel de potássio da Bielorrússia. O projeto Jansen da BHP seria a maior mina de potássio no mundo e Kronau da Vale seria um produtor de médio porte. As minas representariam um benefício econômico para Saskatchewan, embora a oferta adicional de potássio possa diminuir ainda mais os preços.

Vale e BHP competem com a Potash Corp of Saskatchewan, a maior produtora de fertilizantes do mundo. A empresa, com sede em Saskatoon, opera cinco das dez minas na província e está expandindo uma de suas minas no local.

Segundo um porta-voz da Vale, o Conselho de Administração não tomou uma decisão se vai ou não prosseguir com a mina, mas a enxurrada de atividades em torno de Kronau levou alguns a acreditar que a Vale está se preparando para avançar com o projeto, mesmo que eventualmente possa atrair compradores.

A companhia possui o projeto de potássio Carnalita, em Sergipe, que fica perto de Taquari-Vassouras, que é a única mina de potássio do Brasil e atende menos de 5% da demanda do mercado brasileiro.

“Há um monte de potássio chegando em Saskatchewan, e a Vale tem um projeto no Brasil que está perto de sua mina. Estou certo de que eles preferem fazer um projeto no Brasil em vez de Saskatchewan”, disse o analista do Banco de Montreal.

No Peru, a Vale opera a mina de Bayóvar, um dos maiores depósitos de rocha fosfática da América do Sul, com capacidade de produzir 3,9 milhões toneladas por ano. As informações são do jornal canadense The Globe and Mail.

 

Notícias de Mineração, 28/05/2015

Imagem: Vale

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