Produção

Exploração de potássio entra em fase de teste no Amazonas

O projeto mineral para extração e beneficiamento de cloreto de potássio, da empresa Potássio do Brasil avança no Amazonas. Após realizar prospecção nos municípios de Autazes, São Sebastião do Uatumã e Itapiranga e, analisar o teor de potássio no mineral silvinita, a empresa entregou recentemente um relatório ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que apresenta a quantidade e qualidade do minério extraído. Agora a empresa está desenvolvendo testes de beneficiamento e estudos para a escolha dos equipamentos que serão utilizados na produção e beneficiamento do cloreto de potássio.

A previsão para a instalação do projeto é até 2018, que deverá consumir nas obras de instalação da mineradora recursos da ordem de R$ 5 a R$7 bilhões, quando deverá gerar cerca de 3,8 mil empregos, desse total, 3 mil indiretos. Os investimentos destinam-se à construção de uma mina subterrânea, uma fábrica de processamento e infraestrutura para escoamento da produção, que contemplará instalações portuárias, em território do município de Autazes.

De acordo com o diretor de exploração da Potássio do Brasil Ltda., José Fanton, além dos testes de beneficiamento, os preparativos para a implementação do projeto também contemplam questões como os estudos ambientais da região onde a mineração será instalada; o planejamento da lavra, que será subterrânea, possibilitando um impacto superficial mínimo assim como o dimensionamento dos equipamentos de mina; o levantamento topográfico para o planejamento de vias de acesso e escoamento da produção; e estudos de fornecimento de energia para a operação. “Ainda não estamos em fase de produção. Trabalhamos em um empreendimento que requer investimentos de montagem, um período de construção de alguns anos com a perspectiva de iniciar a produção de uma grande e nova província mineral brasileira, a do potássio no Amazonas”, disse.

O funcionamento da mineração terá como base um projeto de lavra subterrânea, com extração de minérios por meio de dois poços com elevadores, um destinado aos colaboradores operacionais e outro, separado à produção e aos equipamentos, semelhante à mina de Taquari-Vassouras, em Sergipe. Fanton informa que até o momento a empresa investiu R$180 milhões no projeto de instalação da nova mineradora.

O diretor explica que a empresa desenvolve estudos em boa parte da bacia sedimentar do Amazonas, ao longo de mais de 300 quilômetros, além dos trabalhos em Autazes, Itacoatiara e Itapiranga. “O trabalho prossegue. Executamos sondagens nas porções mais promissoras. Já efetuamos mais de 40 furos, mas a maioria deles, em Autazes”.

Furos 

Em Autazes já foram obtidos seis furos positivos. Na região do Uatumã foram efetuados cinco furos, sendo dois positivos, onde um está localizado no município de Itapiranga (margem direita) e outro de margem esquerda, no município de São Sebastião do Uatumã.

Em Itapiranga, os furos têm distância média em torno de 3,5 e 4 quilômetros. A distância entre os furos situados às margens opostas do rio Uatumã é de aproximadamente 5 quilômetros. Os furos em Autazes têm distância média em torno de 2,5 quilômetros.

Em média, um furo leva em torno de dois meses em Autazes e entre dois meses e meio a três meses na região do Uatumã, onde os horizontes salinos estão mais profundos. Entretanto, esse tempo pode variar substancialmente quando ocorrem problemas operacionais comuns às perfurações profundas, em camadas de sedimentos inconsolados e, muitas vezes, portadores de aquíferos. A espessura média da camada de silvinita encontrada no depósito de Autazes é de 2,5 metros, chegando a 4 metros com profundidade de 800 metros.

Cenário comercial para a silvinita/cloreto de sódio

A silvinita é o minério de onde o potássio é extraído, principal matéria prima de fertilizantes. A partir da extração do cloreto de potássio pode-se fabricar fertilizantes e o cloreto de sódio, que é o popular sal de cozinha. Segundo Fanton, a silvinita regional é composta por 32% de cloreto de potássio. Fanton considera que maior parte do potássio produzido no Amazonas deve ser comercializado no mercado interno, principalmente na região central do País, onde existem áreas agrícolas. Ele destaca Estados como Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão e Bahia como as principais áreas de plantio que necessitam dos fertilizantes para o aumento da fertilidade do solo. “Atualmente importamos mais de 92% do que consumimos, o que representa cerca de 7 milhões de toneladas por ano de cloreto de potássio”, divulga. Os principais países fornecedores do mineral são: Canadá, Rússia, Israel e Bielo-Rússia.

Recursos

De acordo com o secretário estadual de Mineração, Daniel Nava, a estimativa de investimento nas obras de instalação da mineradora em Autazes é da ordem de R$5 a R$7 bilhões. “Isso em função das características de responsabilidade ambiental”, disse. Segundo o secretário, a inauguração da mineração, em 2018, deve ofertar cerca de 3,8 mil empregos, desse total, 3 mil indiretos.

Portal Amazonia, 10/10/2014

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