Produção

Mineradora canadense de potássio usa modelo em que produção depende da demanda

Em entrevista ao NMB na semana passada, Richard Bellinger, diretor da Gensource, afirmou que o modelo de integração vertical da mineradora canadense necessita de investimento de capital (capex) menor, entra em produção mais rápido e é escalável. A Gensource possui o projeto Lazlo, em Saskatchewan, no Canadá, que deve entrar em operação em 2017. A companhia somente captou investimentos para desenvolver o projeto depois de fechar acordos que garantiam a demanda para a produção.

“A Gensource procurou entender o modelo antigo de mineração de potássio e viu que ele não funcionaria mais. São bilhões de dólares para investir em uma mina e tem todas as questões ambientais envolvidas, o uso de água, energia. São necessários sete, oito anos para entrar em produção e depois quem vai comprar quando a mina estiver pronta?”, disse Bellinger.

O diretor executivo da Arizona, Celso Cravinhos, disse que a companhia possui muitas propriedades no Mato Grosso e que tentavam identificar uma boa área para a produção de potássio. Dessa forma, “encontramos a Gensource, que estava em busca de um mercado, e nós, procurando uma fonte confiável que pudesse garantir a produção e entrega de potássio”, afirmou o executivo também em conversa com o NMB, na semana passada.

A Arizona, segundo Bellinger, possui um relacionamento forte com o setor de agricultura do Brasil e ajudou a garantir um bom mercado para a Gensource. Até setembro, a mineradora havia fechado contrato com cerca de 12 empresas brasileiras para fornecer aproximadamente 150 mil toneladas de potássio por ano. A estimativa é aumentar esse volume para 250 mil toneladas, já no ano que vem, segundo o diretor da Gensource.

“Estamos buscando novos clientes que podem se beneficiar pela vantagem de preço e com uma fonte confiável, com a possibilidade de confiar em uma fonte canadense de potássio com a qual possam depender e saber que o produto vai ser entregue”, disse Bellinger.

Ele afirmou que o modelo de integração vertical da Gensource elimina uma série de camadas, como distribuição, venda, entrega até os compradores. O esquema de logística organizado pela mineradora é mais barato e direto, que é liderado por um profissional com mais de 25 anos de experiência nesse ramo.

“Claro que também estamos esperando a execução de projetos de novos portos e novas ferrovias que possam mudar o cenário do país. Mas, de qualquer forma, temos um bom pessoal designado para a parte de logística”, afirmou Cravinhos.

Sobre a possibilidade de concorrência no Brasil, com o desenvolvimento de vários projetos como os da Harvest Minerals, no Sergipe; e Brazil Potash, no Amazonas; e Vale, com o Carnalita, em Sergipe, a Gensource e Arizona garantem a competitividade, no que diz respeito a qualidade e preço, do produto canadense.

“As vantagens competitivas [do produto brasileiro] são as logísticas dentro do país, mas o custo de produção do Brasil é alto. O modelo da Gensource, com a distribuição da Arizona, pe mais competitivo do que qualquer outro produto no país”, disse Bellinger. O canadense afirmou que o ponto de equilíbrio quando Lazlo entrar em produção será de US$ 200 a tonelada.

“Quantas minas no Brasil entraram em produção nos últimos anos? Sempre tem rumores, mas é uma economia de mercado, não acreditamos que [projetos brasileiros] vão ser competidores em termos de custos e logística. Eles podem ser concorrentes, mas terão a tecnologia e as condições que oferecemos com nosso modelo? Não”, afirmou Cravinhos.

Na área do projeto Lazlo, foram realizadas sondagens que comprovam a quantidade de potássio e qualidade do produto, segundo Bellinger. O executivo disse que trabalhos exploratórios foram feitos na região desde 1960, mas que o ativo não foi pra frente devido às condições do mercado na época. A Gensource agora quer levantar capital para realizar um estudo de viabilidade e novas campanhas de sondagem.

“Nós estamos muito ansiosos com o progresso que estamos fazendo e confiantes para seguir em frente com os trabalhos de desenvolvimento em Saskatchewan, no Canadá. As relações que estamos desenvolvendo no Brasil são baseadas em confiança e interesses de negócios mútuos. Nós respeitamos nossos novos parceiros e a atual situação de negócio deles no Brasil. Dessa forma, não podemos divulgar os nomes dos grupos que estão envolvidos com a Gensource neste momento”, disse, por e-mail ao NMB, Mike Ferguson, CEO da Gensource.

 

Notícias de Mineração, 22/10/2015

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