Produção

Planta de amônia em Uberaba segue indefinida

Embora 2015 tenha começado com grandes expectativas acerca da construção da planta de amônia em Uberaba, no Triângulo Mineiro, único grande empreendimento da Petrobras em Minas Gerais, o projeto encerra o exercício com obras paradas em função das incertezas quanto à fábrica por parte da estatal e causando prejuízos não somente ao Estado, mas também ao País. Isso porque segue a alta dependência do mercado internacional de fertilizantes, o qual provém mais de 70% dos insumos utilizados pelo agronegócio brasileiro.

Na análise do prefeito de Uberaba, Paulo Piau, além das perdas financeiras em virtude da grande quantidade de fertilizantes cotados a dólares, há o desperdício do dinheiro público investido no empreendimento até o momento. “Enquanto o projeto está parado, o que foi feito até aqui vai se deteriorando. E quanto mais demorar a retomada dos trabalhos, maiores são as chances de se perder o que foi feito”, diz.

Iniciadas em 2014, as obras foram suspensas em julho deste exercício com cerca de 30% dos serviços executados mediante custo de R$ 1,2 bilhão. O projeto total prevê inversões de mais de R$ 2 bilhões. A previsão inicial era que a conclusão dos trabalhos ocorresse em 2017, o que não deverá acontecer, já que não há previsão para a retomada dos trabalhos.

Enquanto isso, conforme o prefeito, o setor agropecuário, que tem amenizado as perdas do Produto Interno Bruto (PIB) também vai sendo prejudicado, já que vai aplicando recursos na importação de fertilizantes nitrogenados. “O País perde com isso, pois em vez de gerar emprego aqui, gera lá fora. Isso torna o setor cada vez mais vulnerável”, alerta.

Por nota, a Petrobras informou que a chamada Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN V) está em estágio de hibernação face ao adiamento dos compromissos assumidos pela Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) para construção do gasoduto que forneceria gás natural à planta. “Sem evidências das condições adequadas para suprimento de gás para a fábrica, a Petrobras viu-se impedida de assumir os riscos associados à finalização da planta”, diz o documento.

Além disso, a estatal admite que estuda outras opções para viabilizar a conclusão do projeto. A reportagem não localizou nenhuma fonte da Gasmig para comentar o assunto.

Interesse – Piau lembra que pelo menos quatro grupos estrangeiros estariam interessados em dar continuidade ao projeto. Um japonês, um paquistanês, outro saudita e um quarto chinês. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também estaria interessado na aquisição dos ativos do setor de fertilizantes da Petrobras, entre os quais está a fábrica de amônia de Uberaba. No entanto, para isso, a estatal precisaria abdicar de todo ou parte do projeto.

“O prosseguimento dos trabalhamos depende única e exclusivamente de uma decisão da Petrobras. Mas, na minha opinião, essa resposta não sai porque o negócio é muito pequeno para a estatal. Porém, para Minas e para o agronegócio brasileiro é grande. O empreendimento está nas mãos de quem não tem muito interesse na área, já que seu principal negócio é o petróleo. Quem precisa fazer alguma coisa é o município e o Estado, os maiores interessados”, defende.

Neste sentido, Piau argumenta que em nome do município já procurou todos os órgãos competentes possíveis, mas que nada avançou, justamente por falta de um posicionamento da Petrobras. “Eles não podem jogar tantos recursos no lixo. Isso pode até ser uma estratégia para valorizar o negócio. Mas quanto mais tempo eles demorarem, mais o projeto vai se deteriorar”, reitera.

 

Diário do Comércio, 24/12/2015

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