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UFN-3 gera rombo de mais de R$ 50 milhões na cidade

O Consórcio UFN3, formado pelas empresas Galvão Engenharia, GDK e a Sinopec do Brasil, responsável pela construção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, está devendo aproximadamente R$ 50 milhões para cerca de 40 empresas de Três Lagoas. Diante da falta de pagamento, que já se arrasta há mais de seis meses, os empresários pretendem realizar, nos próximos dias, manifestações nas ruas da cidade e ir até a Câmara Municipal na próxima terça-feira, na tentativa de sensibilizar as autoridades e a sociedade de um modo geral para a problemática.

A Associação Comercial e Empresarial de Três Lagoas, no entanto, está tentando agendar uma reunião com os representantes do Consórcio para tentar resolver essa situação.

Segundo levantamento feito pelo Jornal do Povo, por conta da falta de pagamento, um empresário local teve que demitir 20 funcionários . A dívida é de R$ 1 milhão. De acordo com o empresário, a empresa deve para ele pelos serviços prestados na área de moradia, desde fevereiro deste ano. Já no ramo da alimentação, o Consórcio deve desde março. Somando os dois serviços, ele informou que a dívida soma R$ 1 milhão. “Esse consórcio já veio preparado para dar o calote nos empresários de Três Lagoas, já que não podemos negativar a empresa. Existe uma série de requisitos que temos que cumprir e ficamos impossibilitados de receber pelos serviços que prestamos”, declarou.

Ainda segundo esse empresário, essa situação tem prejudicado consideravelmente o comércio de Três Lagoas, que vive situação crítica nesse momento. “É uma corrente, se o Consórcio não nós paga, a gente encontra dificuldades para honrar os compromissos com nossos fornecedores e funcionários. Basta verificar o paradeiro em que se encontra o comércio da cidade. O pessoal tem feito a maior propagando dessa fábrica, que pertence a uma grande empresa, a Petrobras, mas isso não reflete na realidade da cidade, de que essa fábrica tem contribuído com o desenvolvimento do município”, disparou.

Outro empresário ouvido pelo Jornal do Povo tem uma empresa no ramo de eletricidade. Ele informou que a dívida é de R$ 700 mil e que, desde janeiro deste ano o Consórcio não paga pelos serviços que sua empresa realizou na construção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados. “Isso tem gerado um impacto muito grande na folha de pagamento dos nossos funcionários, assim como tem dificultado pagar em dia nossos fornecedores. O Consórcio alega que não tem fluxo em caixa, mas nós ficamos impedidos de negativar, comercializar a dívida, de descontar a duplicata, é uma situação complicada”, relatou.

O mesmo vem ocorrendo com uma empresária que trabalha no ramo de prestação de serviço. O Consórcio deve para ela R$ 800 mil há cinco meses. Ela acredita que a dívida dessas empresas com os comerciantes de Três Lagoas somam R$ 80 milhões. De acordo com a empresária, a intenção dos comerciantes é ir para a Câmara Municipal na semana que vem e realizar uma manifestação. Outra empresária, que também atua na área de prestação de serviço informou que, para ela, o Consórcio deve R$ 100 mil há sete meses. “O pessoal fala que vai pagar, vai pagar e nada. Isso tem prejudicado em muito a situação dos comerciantes, temos que pagar juros para os bancos, estamos com aluguel atrasado, é difícil”, acrescentou.

Pelo que foi apurado pelo Jornal do Povo, o Consórcio UFN 3 deve para comerciantes, desde a área de prestação de serviço como no fornecimento de alimentos, medicamentos, serviços no setor automotivo, de embalagens, refrigeração, na área médica, até no aluguel de maquinários e equipamentos , assim como de imóveis que servem de alojamentos para os trabalhadores. “Esse Consórcio está quebrando muitas empresas, é uma situação desesperadora. Eles não pagam ninguém e nem dão uma justificativa”, declarou uma empresária que trabalha no ramo automotivo, cujo Consórcio deve para ela, R$ 30 mil desde novembro do ano passado. “É um prejuízo enorme, porque já tivemos que pagar nossos funcionários, comprar peças, mas até agora não recebemos”, declarou.

Por conta da política da Petrobras, todos os nomes dos empresários procurados pela reportagem tiveram que ser mantidos em sigilo. 

 

Jornal do Povo de Três Lagoas, 26/06/2014

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