Vale teria desistido de projeto orçado em R$ 3,6 bi em Patrocínio
O Projeto Salitre da Vale Fertilizantes em Patrocínio (Alto Paranaíba), cujo protocolo de intenções, assinado em 2011 com o governo do Estado, previa investimentos de R$ 3,6 bilhões, está praticamente morto e enterrado. Pelo menos é o que acredita o prefeito do município, Lucas Campos de Siqueira (PPS). Ontem, em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, ele se mostrou “extremamente preocupado” e “apreensivo” em relação ao futuro do empreendimento.
Em setembro, a companhia anunciou que estava dando andamento ao processo de licenciamento ambiental para abertura de uma mina de rocha fosfática em Patrocínio. Da lavra será extraído o minério de fosfato que será enviado para a unidade da empresa em Araxá (Alto Paranaíba), via ferrovia, onde o minério será tratado.
ÂAí que estaria o problema. Segundo Siqueira, o protocolo assinado em 2011 previa a construção de uma planta química industrial para a produção de ácidos sulfúrico e fosfórico, além de uma unidade de fertilizantes fosfatados de alta concentração.
“Porém, em agosto, um diretor da Vale esteve aqui e trouxe o novo projeto que seria apresentado na Supram (Superintendência Regional de Regulação Ambiental) para renovação da licença de instalação (LI). Nesse documento, estava previsto apenas a exploração da mina. Os investimentos são de R$ 400 milhões, o que equivale a um nono do que foi acordado no protocolo de intenções. O número de empregos gerados também vai cair de 6 mil (entre diretos e indiretos) para 700 ao todo. Para nossa cidade, isso foi um verdadeiro balde de água fria”, afirmou o prefeito.
Mobilização
Desde então, ele vem tentando mobilizar a empresa e também o poder público estadual na tentativa de garantir que o restante do projeto também saia do papel. No entanto, em audiência pública realizada em 30 de setembro na cidade – como parte do processo de licenciamento ambiental – os representantes da Vale Fertilizantes confirmaram que não há qualquer previsão de novos investimentos da empresa na cidade além da abertura da mina.
“Houve muita contestação por parte de todos os cidadãos presentes. Praticamente ninguém concordou com a argumentação da empresa, que culpa a crise pela mudança nos planos de investimento. Concordamos que isso é uma realidade atual. Mas em 2011, quando o protocolo foi assinado, não havia sinal de crise. Por que então a Vale não deu andamento ao projeto naquela época?”, questiona Siqueira.
O prefeito de Patrocínio diz, ainda, temer que o anúncio da retomada de apenas pequena parte do Projeto Salitre seja somente uma “manobra” da empresa para não perder as licenças ambientais.
“Quando estiveram aqui, os diretores da Vale disseram que a previsão é que em julho do ano que vem a mina já esteja operando. No entanto, a Supram nos informou que o projeto não deverá ser analisado antes de março ou abril de 2016. Acho difícil que a empresa consiga cumprir mais esse prazo”, argumentou.
Diário do Comércio, 25/10/2015



