Ataques a fabricas de fertilizante russas podem prejudicar a oferta de nitrato de Amônio

A Ucrânia tem intensificado uma estratégia militar focada em alvos econômicos e logísticos na Rússia, colocando a indústria de fertilizantes no centro de suas recentes ofensivas com drones de longo alcance. Nas últimas semanas, importantes complexos industriais russos sofreram danos significativos, levantando preocupações globais sobre a estabilidade na oferta de insumos agrícolas, um cenário que afeta diretamente o Brasil.
Na madrugada de 14 de junho de 2026, quando a fábrica Azot, localizada em Novomoskovsk (região central da Rússia), foi atingida por drones ucranianos, resultando em um incêndio. Operada pela EuroChem, a unidade fica a 350 km da fronteira e responde por cerca de 14% da capacidade produtiva de nitrato de amônio do país, com um potencial de 1,4 milhão de toneladas por ano. Este não foi um episódio isolado: em meados de maio, outra grande planta do mesmo grupo, a Nevinnomysskiy Azot, situada no sul da Rússia, também foi alvo de bombardeios que provocaram incêndios em suas instalações. Essa unidade soma a produção de 1 milhão de toneladas de amônia e mais 1,4 milhão de toneladas de nitrato de amônio anualmente.
Para o cenário internacional e, sobretudo, para o agronegócio brasileiro, o avanço dessa contraofensiva liga o sinal de alerta. O nitrato de amônio desponta como o fertilizante mais exposto aos impactos desses ataques, gerando forte preocupação no mercado nacional, uma vez que a Rússia é a principal origem desse insumo para o Brasil. Em 2025, os russos forneceram cerca de 1,16 milhão de toneladas do produto, o que correspondeu a expressivos 96% de todo o volume importado pelo país. Diante dessa elevada dependência externa de fertilizantes, qualquer interrupção prolongada ou dano severo à infraestrutura industrial russa pode reduzir a oferta global em curto e médio prazo, encarecendo os custos de produção nas lavouras brasileiras.
GlobalFert 18/06/2026



