Cloreto de potássio amplia movimento de baixa com oferta abundante e demanda cautelosa no Brasil

O mercado de cloreto de potássio (KCl) encerra outubro com melhores perspectivas, refletindo um cenário global marcado pela ampla disponibilidade do produto e por uma demanda internacional menos agressiva. Após meses de sustentação em níveis elevados, as cotações passaram a registrar recuos graduais.
No mercado internacional, a oferta segue confortável. Rússia, Belarus e Canadá mantêm fluxo regular de exportações, reduzindo preocupações com disponibilidade de produto para os principais importadores. Paralelamente, o elevado volume estocado na China tem limitado novas altas e contribuído para pressionar os preços internacionais.
Nas últimas semanas, as indicações para o mercado brasileiro oscilaram entre US$ 355/t e US$ 380/t CFR, com compradores demonstrando menor urgência nas aquisições.
No Brasil, o mercado apresentou ritmo mais lento de negociações. Grande parte das necessidades para a safra de verão já foi parcialmente coberta, levando distribuidores e produtores a adotarem postura mais cautelosa, especialmente diante da expectativa de preços mais baixos nos meses seguintes. A combinação de boa disponibilidade doméstica e perspectiva de queda nos preços internacionais reduziu o apetite por novas compras ao longo de outubro.
Os dados de importação reforçam o cenário de abastecimento confortável. Em setembro, o Brasil importou 1,08 milhão de toneladas de cloreto de potássio, acima das 927,8 mil toneladas registradas em agosto.
O preço médio das importações avançou sutilmente de US$ 389/t em agosto para US$ 392/t em setembro, quando analisamos a média dos preços das principais origens. Em outubro, é esperado que essa mesma média atinja aproximadamente US$ 370.
O Canadá permaneceu como principal fornecedor do país em setembro, respondendo por 453,4 mil toneladas, seguido pela Rússia, com 317 mil toneladas, Turcomenistão, com 134,3 mil toneladas, e Israel, com 94,5 mil toneladas. No acumulado de 2026, as importações brasileiras já somam 10,65 milhões de toneladas, tendo Canadá e Rússia como principais origens, com participações de 4,12 milhões e 3,37 milhões de toneladas, respectivamente.
A expectativa predominante entre participantes do mercado é que o viés baixista permaneça até o encerramento de novembro, sustentado pela ampla oferta global e pela menor intensidade das compras. Caso não ocorram interrupções relevantes na logística internacional ou mudanças significativas no comportamento da demanda, os preços tendem a buscar estabilização apenas ao final do ano, em patamares inferiores aos observados durante o terceiro trimestre.
Diego Mello, especialista em fertilizantes GlobalFert, 29/10/2026



