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Relação de troca de fertilizantes tem melhora após a alta de preços no primeiro semestre

Após registrar forte deterioração entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026, a relação de troca entre fertilizantes e as principais commodities agrícolas brasileiras apresentou melhora ao longo do segundo semestre deste ano.  

O movimento reflete a combinação entre a acomodação dos preços de importantes matérias-primas fertilizantes, a maior disponibilidade de produto no mercado brasileiro e a recuperação parcial dos preços de algumas commodities agrícolas. 

O período mais desafiador para o produtor ocorreu entre abril e junho de 2026, quando nitrogenados, especialmente a ureia, voltaram a ganhar sustentação no mercado internacional diante da expectativa de compras da Índia, dos elevados custos do gás natural na Europa e das incertezas geopolíticas envolvendo importantes regiões exportadoras. 

A partir do segundo semestre, entretanto, o cenário começou a mudar. A ampla oferta global de potássio, a demanda internacional mais cautelosa por fosfatados e os volumes de fertilizantes desembarcando nos portos brasileiros contribuíram para reduzir a pressão sobre os preços e melhorar o poder de compra do agricultor. 

Soja recupera competitividade após pico em junho 

A relação de troca da soja saiu de 24,56 sacas por tonelada de fertilizante em setembro de 2025 para um pico de 32,50 em junho de 2026, antes de recuar para 24,86 em outubro de 2026. 

O movimento indica que o produtor de soja enfrentou significativa perda de poder de compra ao longo do primeiro semestre, precisando destinar mais produto para adquirir a mesma quantidade de fertilizante. A situação começou a inverter na segunda metade do ano, impulsionada pela estabilização dos fosfatados e pela acomodação dos preços do potássio, além da melhora relativa das cotações da oleaginosa. 

Milho registra a maior deterioração do período 

Entre as principais commodities analisadas, o milho apresentou um dos cenários mais desafiadores. A relação de troca avançou de 66,77 para 80,83 sacas por tonelada entre setembro de 2025 e junho de 2026, retornando para 68,31 em outubro. 

A melhora observada nos meses seguintes acompanhou a redução parcial dos preços no mercado de fertilizantes após as novas rodadas de ureia da china, a maior disponibilidade de KCL e a demanda limitada pelo MAP nos preços atuais. 

Café segue acima dos níveis históricos recentes 

No café, a relação de troca passou de 1,66 para 2,92 sacas por tonelada entre setembro de 2025 e junho de 2026, encerrando outubro em 2,59. 

Apesar da recuperação recente, o indicador ainda permanece significativamente acima dos níveis observados no início da série. 

Açúcar e etanol acompanham melhora do setor sucroenergético 

O setor sucroenergético também enfrentou deterioração das relações de troca durante o primeiro semestre. No açúcar, o indicador saiu de 27,74 para 37,15 toneladas necessárias para aquisição dos fertilizantes entre setembro de 2025 e junho de 2026, retornando para 30,30 em outubro. 

A melhora observada no segundo semestre reflete tanto a acomodação dos preços dos fertilizantes quanto a sustentação das receitas do setor, favorecido por um ambiente de demanda mais firme para os derivados da cana. 

Algodão mostra comportamento mais equilibrado 

O algodão apresentou menor volatilidade relativa ao longo do período. A relação de troca saiu de 29,60 arrobas por tonelada de fertilizante para 34,99 em junho, recuando posteriormente para 31,14 em outubro. 

Embora o produtor tenha perdido poder de compra durante o primeiro semestre, o movimento foi menos intenso do que o observado em culturas como milho e café. A recuperação recente acompanha a melhora generalizada do mercado de insumos. 

Importante salientar que, apesar da melhora no cenário no comparativo com o histórico dos últimos anos, no entanto, a relação de troca ainda segue desafiadora para a maioria das commodities. 

Mercado deve seguir atento ao mercado internacional 

Apesar da melhora observada nos últimos meses, o comportamento futuro das relações de troca continuará fortemente dependente do câmbio e do mercado internacional 

Nos nitrogenados, os preços da ureia seguem sensíveis à demanda da Índia, bem como às cotas de exportação da China, aos custos do gás natural e aos riscos geopolíticos envolvendo importantes regiões produtoras. No Nitrato temos um cenário de maior risco, uma vez que a Rússia, principal fornecedora para o Brasil, oferece riscos produtivos e logísticos derivados do conflito. No sulfato, devemos ver uma melhora da relação de troca nas próximas semanas, após o anúncio Chines de novas cotas de exportação.  
 
No mercado de potássio permanece mais confortável devido à elevada oferta global, enquanto os fosfatados seguem sustentados por restrições de oferta em alguns países exportadores. 

Para o produtor brasileiro, o resultado é um cenário consideravelmente mais favorável do que o observado no auge da pressão registrada entre abril e junho. Ainda assim, a volatilidade do dólar e possíveis mudanças na dinâmica global de fertilizantes continuarão determinando a competitividade das compras para a safra 2026/27. 

GlobalFert em 29/10/2026 

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