Produtor mato-grossense teme a falta de milho
Com a colheita de milho safrinha praticamente no final e a alta demanda internacional pelo grão, os produtores de Mato Grosso temem não haver mais estoque do produto até o fim desse ano.
As exportações do milho recém-colhido da segunda safra 2011/12 já começaram a ocorrer devido a aceleração da colheita no Estado.
Os trabalhos atingiram 66,2% dos 2.504 milhões de hectares plantados, e a expectativa dos produtores é de que até o final desse mês grande parte das lavouras já tenha sido colhida. A expectativa de alguns produtores é de que durante os meses de agosto e setembro, mais da metade desse milho já tenha sido exportado. Todo esse cenário promete um aumento de até 25% no valor da saca de 60 quilos, que já deu uma valorizada e hoje sai em média R$ 21,00. No início do mês os produtores chegaram a receber R$ 14,00 pela saca.
Segundo o produtor rural e também vice-presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan todo esse cenário repentino nos preços e exportações do grão tem deixado o produtor apreensivo. De acordo com ele, a alta demanda internacional pelo milho pode elevar ainda mais os preços do produto e ocasionar uma alta no custo de produção para a próxima safra, além de deixar o mercado interno sem estoques. “Com esse cenário, mesmo com o atual recorde 14,2 milhões de toneladas, o mercado interno pode ficar sem estoques”, afirma.
Para a próxima safra, segundo dados Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), o aumento no custo de produção do grão está estimado em 6,5% em relação ao ciclo anterior. O valor por hectare passará de R$ 1.535 para R$ 1.636. Só em junho, as sementes tiveram alta de 13,8%, os fertilizantes 12,1% e os defensivos, 9,1%.
Exportação junho – As exportações do mês de junho atingiram 4,98 mil toneladas, ao valor médio no porto de US$ 14,46/sc. No mesmo mês do ano passado, junho de 2011, foram registradas apenas 85,0 mil toneladas, resultado do atraso do plantio do cereal.
Folha do Estado, 23/07/2012



