Nitrogênio equivale à qualidade do trigo
O Rio Grande do Sul é o maior produtor de trigo do país nesta safra. Conforme dados da Emater, as condições climáticas, com temperaturas baixas e boa umidade do solo, são favoráveis ao desenvolvimento inicial da cultura, que está com 99% da área cultivada em crescimento vegetativo. O período maior de temperaturas baixas dá condições para o acúmulo de reservas pela planta, que poderá proporcionar maior número e tamanho de grãos na espigueta que começa a se formar. Conforme a semente escolhida e o período de plantio, o momento é de realizar aplicação de nitrogênio.
De acordo com o professor na área de solos do curso de Agronomia da UPF, Pedro Escosteguy, essa aplicação deve ser feita no momento de perfilhamento do trigo. Porém, se a dose de aplicação for elevada, deve ser subdividida em duas etapas, quando o objetivo é a produção de grãos; ou em três etapas, quando o objetivo é a produção de grãos e a qualidade industrial destes. O parcelamento em duas etapas deve ser feito no início do perfilhamento e no início do alongamento. Para garantir a qualidade industrial do trigo, ainda é importante aplicar nitrogênio após o emborrachamento da planta, ou seja, em pré-florescimento.
“Essa aplicação tardia de N em cobertura, geralmente, não aumenta o rendimento de grãos, mas pode aumentar o teor de proteína dessa parte da planta do trigo. Quanto maior o teor de proteína o valor do índice W (força de glúten) pode aumentar, atingindo valores que podem modificar a classificação comercial do produto colhido”, afirma Escosteguy.
No entanto, esse professor alerta que o aumento de proteína não significa necessariamente, que em todas as situações poderá resultar em maior força de glúten. Da mesma forma, o professor alerta sobre o momento de aplicação de nitrogênio em cobertura, que além da etapa de crescimento da cultura deve considerar as condições climáticas e a cultivar. Nesse sentido, o professor recomenda que o produtor discuta com o Engenheiro Agrônomo sobre o melhor momento e a melhor dose para aplicar em cada situação.
Segundo Escosteguy, a princípio todos os agricultores costumam fazer a aplicação de nitrogênio, porém, o problema está em como fazê-la. “Os produtores que optam pela aplicação parcelada acabam obtendo os maiores rendimentos e maior qualidade industrial do grão. Até o ano passado a qualidade do grão não era tão valorizada como está sendo indicado que possa ocorrer agora. Isso se deve a entrada em vigor, a partir desta safra, da instrução normativa 38, de 1/12/2010, do Mapa, que classifica o trigo de acordo com a qualidade industrial do grão. Entre outros aspectos, essa Instrução considera o valor do W, ou da força de glúten, sendo esse o parâmetro de qualidade mais influenciado pela proteína do grão ou pelo manejo da adubação nitrogenada”, acrescenta.
Além disso, outro fator considerado pelos produtores para optar por uma por aplicações parcelas de nitrogênio é o custo de entradas a mais na lavoura e a perda causada pelo amassamento das plantas, quando da entrada para aplica nitrogênio. Quanto maior o número de aplicações, isso acarreta em mais custo de mão-de-obra, maquinário, óleo, tempo e ainda, o amassamento da planta. Entretanto, o professor destaca que quando a aplicação de nitrogênio é realizada no perfilhamento, isso não garante qualidade do grão, mas somente o rendimento. Para qualidade do grão é necessário duas ou três aplicações, sendo fundamental a aplicação na fase do pré-florescimento.
Entre as recomendações a serem consideradas para a aplicação de nitrogênio, destaca-se a época de fazê-la e a dose a ser aplicada deste nutriente. O professor recomenda que essa aplicação seja feita antes de uma chuva de 20 a 30 mm, pois a uréia é o principal adubo utilizado e pode perder nitrogênio, na forma de amônia, quando aplicada em solo seco, ou com alto pH ou com muita palha. Para diminuir essa perda, é importante aplicar antes da chuva e as doses não devem ser excessivas, sendo estabelecidas com base na análise do solo e da resteva da cultura que precede o trigo, além da expectativa de rendimento de grãos.
Por conta do último item, é importante que as doses sejam parceladas. Estes aspectos devem ser balizados com a assistência técnica, que conhece as cultivares que respondem ao manejo de adubação nitrogenada, podendo melhorar a classificação industrial para tipo pão, as condições do solo e demais orientações específicas da cultura do trigo.
Diário da Manhã, 13/08/2012



