Culturas

Fertilizantes em cobertura no algodão: “jogar a lanço” ou “aplicar em superfície”?

São indiscutíveis os ganhos em capacidade operacional obtidos nos últimos anos com o surgimento de equipamentos de maior porte e dos auto propelidos, infelizmente não se pode dizer o mesmo sobre a qualidade de aplicação. O algodão é uma cultura bastante responsiva à adubação e em épocas onde o mercado anda incerto, é comum a opção dos técnicos por uma adubação mais enxuta.

Estas circunstâncias, combinadas ao apelo para aplicações em janelas estreitas, podem levar a perdas em produtividade e na qualidade da pluma produzida. O que fazer então? Alguns respondem ao desafio realizando a mistura de grânulos, para fornecer o nitrogênio e o potássio juntos e com isto reduzir o número de entradas na lavoura.

A segregação dos fertilizantes arremessados pelos discos dos distribuidores pode ser elevada se as partículas de fertilizante apresentarem dimensões muito distintas. Isto é particularmente notado nas misturas envolvendo cloreto de potássio e sulfato de amônio e mesmo naquelas onde os micronutrientes são misturados com fontes nitrogenadas que podem apresentar grânulos bastante maiores que o dos micronutrientes.

Os distribuidores de discos duplos não permitem a aplicação de misturas de grânulos com boa qualidade. Portanto os equipamentos devem ser ajustados para cada produto em separado e as aplicações devem ser realizadas de modo a respeitar as limitações de largura de aplicação impostas pelos produtos utilizados.

Neste sentido, o que caracteriza uma boa aplicação? Aplicações consideradas de boa qualidade são aquelas onde, na média, o desvio da dose de produto depositado é inferior a 15% em relação à média. Este cálculo deve ser feito a partir da pesagem de amostras de fertilizantes coletadas em coletores com dimensões uniformes distribuídos transversalmente à faixa de aplicação, um número mínimo de 10 coletores deve ser utilizado para representar adequadamente o perfil de distribuição.

No caso do algodão é importante ressaltar que por se tratar de uma planta com porte mais alto que a soja, a largura de aplicação precisa ser ajustada em função da altura das plantas. Como isto não é desejável, pelos danos que causa às plantas quando as mesmas têm maior porte, é melhor iniciar as aplicações com a largura de aplicação menor que aquela máxima obtida em condições onde não há obstrução ao arremesso das partículas.

Aspecto importante a ser considerado também na qualidade de distribuição é a realização das operações de aplicação atravessando curvas de nível ou em áreas dobradas. Além de alterar o ângulo do disco com o solo causando o arremesso do produto mais longe ou distante, a necessidade de reduzir e aumentar a velocidade de deslocamento causa variação na dose aplicada, mesmo para aqueles equipamentos automatizados, uma vez que o tempo para aceleração e redução da velocidade da esteira pode ser maior que aquele para acelerar e desacelerar a máquina. Nos equipamentos que possuem dosagem controlada por uma roda de terra isto não é problema, entretanto para aqueles onde a vazão é fixa, o problema se agrava.

Por fim é importante planejar com antecedência as aplicações visando uma boa qualidade, isto passa por testes para definir a largura adequada de aplicação para cada produto e dose com antecedência. A redução da largura da faixa e o aumento de entradas para aplicar os fertilizantes puros reduzem muito a capacidade operacional, permitem, porém uniformidade no desenvolvimento e ganhos de difícil mensuração como aumento na capacidade operacional e redução das perdas na colheita. Deixo a pergunta: nesta próxima safra vamos aplicar ou jogar o fertilizante?

Agro Debate, 16/01/2013

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